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Câmeras desmentem PMs em morte de empresário no Rio

Imagens de câmeras corporais mostram PM monitorando o empresário morto na Zona Norte do Rio  |    Reprodução/TV Globo e Arquivo Pessoal

Imagens registradas pelas câmeras corporais de policiais do 41º BPM (Irajá) colocaram em xeque a versão inicial apresentada por agentes envolvidos na morte do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, de 29 anos, baleado durante uma ação policial na madrugada da última quarta-feira (22), no bairro da Pavuna, zona norte do Rio de Janeiro.

O material, exibido pelo programa Fantástico, da TV Globo, mostra que Daniel já vinha sendo monitorado pelos policiais muito antes da abordagem que terminou em sua morte. Dono de uma loja de eletrônicos na região, ele voltava de um pagode com três amigos quando foi atingido por ao menos 24 disparos dentro do próprio carro.

Inicialmente, os policiais relataram na delegacia que faziam patrulhamento de rotina quando receberam informações de pedestres sobre um veículo suspeito. Segundo eles, ao localizar o automóvel, foi dada ordem de parada, mas o motorista teria avançado em direção à equipe, criando risco iminente e justificando a reação armada.

No entanto, as gravações mostram uma dinâmica diferente. Desde 1h53 da madrugada, os agentes já acompanhavam a movimentação de Daniel por meio de mensagens que informavam a localização exata do veículo em tempo real. Em um dos trechos captados, um dos policiais chega a afirmar que seria melhor aguardar antes de agir.

Cerca de uma hora depois, novas mensagens indicavam que o carro havia entrado em uma rua próxima a um colégio e passado em frente a uma padaria da região. Pouco depois, às 3h06, a equipe se deslocou e iniciou os disparos.

Segundo a apuração, foram pelo menos 24 tiros de fuzil. Um dos sargentos efetuou 11 disparos e o outro, 13. Daniel, que estava ao volante, foi atingido no rosto e morreu ainda no local. Os três amigos que estavam no veículo não foram baleados.

A cena ocorreu em uma rua estreita, com pouca iluminação, muros próximos e pouco espaço de manobra, o que reforça a suspeita de que o carro estava encurralado no momento da abordagem.

As investigações também apontam que os policiais teriam combinado previamente a versão apresentada após a ocorrência. Esse alinhamento aparece nas próprias gravações e fortalece a linha de apuração de que a ação não foi espontânea, mas previamente articulada.

Com base nas provas reunidas até o momento, a Corregedoria da Polícia Militar e a 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar identificaram indícios de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Dois policiais foram presos em flagrante por determinação do comando da corporação e encaminhados para a unidade prisional da PM em Niterói.

Daniel deixou esposa e uma filha de apenas 4 anos. O caso segue sob investigação e gerou forte repercussão diante das evidências apresentadas pelas câmeras corporais. Fonte: Bocão News