Polícia apura morte de criança que buscou atendimento médico cinco vezes em Campo Grande.
João Guilherme após procurar atendimento cinco vezes Crédito: Reprodução/G1
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga a morte de João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos, como homicídio culposo (quando não há intenção de matar). A criança faleceu na madrugada de terça-feira (7), em Campo Grande, após passar por cinco atendimentos médicos em diferentes unidades de saúde em um intervalo de apenas seis dias.
Segundo registros do boletim de ocorrência, a busca por socorro começou no dia 2 de abril, após um acidente doméstico:
- 2 de abril (UPA Tiradentes): O menino bateu o joelho enquanto brincava. Foi liberado com analgésicos após exames iniciais.
- 3 de abril (UPA Universitário): Com dores persistentes, passou por nova consulta e foi novamente medicado e liberado.
- 4 de abril (UPA Universitário): Retornou com fortes dores no peito. A família alega que a médica atribuiu o sintoma a um quadro de ansiedade.
- 5 de abril (UPA e Santa Casa): Um novo raio-x detectou uma fissura no joelho. Ele foi levado à Santa Casa para imobilização e recebeu alta logo em seguida.
- 6 e 7 de abril (Desfecho): O estado de saúde agravou-se drasticamente. Após ser levado às pressas para a Santa Casa na noite de segunda-feira, João Guilherme faleceu cerca de 30 minutos após dar entrada na unidade.
O cunhado da vítima, Michael Petrovich de Souza, descreveu momentos de angústia ao perceber que o menino estava ficando roxo e sem ar antes da última tentativa de socorro. “Foi agravando, foi piorando”, lamentou em entrevista ao g1.
A Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) informou, por meio de nota, que abriu um processo administrativo para apurar prontuários e registros médicos, garantindo que “todas as responsabilidades serão rigorosamente verificadas”. A Polícia Civil solicitou um exame necroscópico para determinar a causa exata da morte, e o inquérito será conduzido pela Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca).
Até o momento, a Santa Casa não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
Casos de suspeita de negligência médica em unidades públicas podem ser denunciados diretamente aos Conselhos Regionais de Medicina (CRM) e ao Ministério Público. Fonte: Correio 24hrs

