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MPF vê inconsistência técnica na Ponte Salvador-Itaparica e trava licença com 20 recomendações.

Projeto da ponte Salvador-Itaparica ainda precisa de licenciamento  Crédito: Divulgação

Laudos do MPF apontam fragilidades ambientais e barram avanço da Ponte Salvador-Itaparica

Embora o Governo da Bahia mantenha o plano de iniciar as obras da Ponte Salvador-Itaparica em 4 de junho, o projeto enfrenta novos obstáculos jurídicos e técnicos. Três laudos periciais do Ministério Público Federal (MPF), obtidos com exclusividade pelo CORREIO, revelam sérias dúvidas sobre a viabilidade ambiental do empreendimento e listam mais de 20 recomendações essenciais antes da emissão da Licença de Instalação.

Os documentos, elaborados por sete peritos federais entre setembro e outubro de 2025, indicam que os estudos atuais carecem de rigor. O principal temor reside nos danos potenciais à Baía de Todos-os-Santos, especificamente no que diz respeito ao ecossistema marinho e à fauna local.

Principais pontos críticos apontados pelo MPF:

  • Déficit de Especialistas: O órgão recomenda a contratação de 20 profissionais (engenheiros, oceanógrafos e biólogos) para auxiliar o Ministério Público Estadual na análise crítica do projeto.
  • Fauna Sensível: Necessidade de monitoramento rigoroso de cetáceos e quelônios, além do controle de ruídos subaquáticos.
  • Impacto no Habitat: Revisão da valoração de perdas de corais e manguezais, com maior clareza sobre a área real de supressão de vegetação.
  • Patrimônio: Garantia de protocolos para proteção de possíveis achados arqueológicos.

“O assessoramento exige especialistas capazes de analisar criticamente o monitoramento de organismos sensíveis e examinar a eficácia das medidas de controle ambiental”, detalha o Laudo Técnico nº 1032/2025.

Em resposta, o Governo do Estado e a Concessionária afirmam que estão empenhados em cumprir as exigências dos órgãos licenciadores. O debate ganha um novo capítulo nesta quarta-feira (25), com uma audiência pública agendada para as 10h na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), onde os estudos e as falhas apontadas serão discutidos com a sociedade. Fonte: Correio 24hrs