Estratégia ou medo? Por que o pragmatismo defensivo pode ser a chave para o Bahia na Libertadores
Bahia e O’Higgins na Libertadores – Foto: Divulgação I EC Bahia
O confronto decisivo contra o O’Higgins, nesta quarta-feira (25) na Arena Fonte Nova, carrega uma tensão natural. Após a derrota por 1 a 0 no Chile, a torcida do Bahia oscila entre a necessidade de atacar e o receio de ver um time excessivamente recuado — o temido rótulo de “retranqueiro”. No entanto, os números sugerem que a solidez defensiva, muitas vezes confundida com passividade, pode ser exatamente o que levará o Esquadrão à próxima fase.
À primeira vista, as estatísticas da temporada podem assustar. Na comparação entre o Brasileirão e a Liga de Primera, o O’Higgins ostenta mais posse de bola (50,8% contra 40,3%) e cria mais chances reais (2,3 contra 1,0). Mas o segredo está no que cada time faz com essas oportunidades.
O time chileno é marcado pelo desperdício: perde, em média, 1,5 grandes chances por partida. Já o Bahia é cirúrgico, desperdiçando apenas 0,3. Ou seja: o Tricolor cria menos, mas erra drasticamente menos. Em um jogo eliminatório, a economia de movimentos e a precisão valem ouro.
Se o O’Higgins aposta no volume, o Bahia responde com uma barreira quase intransponível. Mesmo com menos tempo de posse, o Esquadrão sofre menos gols (0,7 por jogo contra 1,0 do rival) e domina os quesitos defensivos:
- Cortes: 31,7 por jogo (o dobro dos 16,5 do O’Higgins).
- Interceptações: 10,3 contra 6,5.
- Desarmes: Superioridade clara do Tricolor.
Isso mostra que o Bahia “controla o espaço”, mesmo quando não controla a bola. É um modelo de jogo que aceita a pressão, mas raramente cede o gol, punindo o adversário no erro.
Embora o Bahia tenha se mostrado confortável reagindo ao adversário, o fator casa deve equilibrar a posse de bola. Jogando diante de sua torcida, o Esquadrão terá o ambiente ideal para forçar o erro chileno.
O O’Higgins finaliza tanto quanto o Bahia, mas o Tricolor marca mais (1,3 gols por jogo contra 1,0). Se o padrão de desperdício dos chilenos se repetir e a defesa baiana mantiver a média de cortes e interceptações, o caminho para reverter o 1 a 0 está traçado. Fonte: A Tarde

