Remédio para Emagrecer que Não Foi Aprovado em Nenhum Lugar do Mundo Já Circula Ilegalmente no Brasil
Anúncios de venda ilegal de retatrutida são encontrados em sites e redes sociais Crédito: Reprodução
Conhecida nas redes sociais pelo apelido de “reta” ou vendida em combos sob o nome genérico de “peptídeo”, a retatrutida virou o novo fenômeno de buscas no Google, TikTok e Instagram. O problema é que o medicamento não possui registro sanitário em nenhum país do mundo, mas já é comercializado clandestinamente no mercado brasileiro por valores que passam de R$ 2,5 mil. Desenvolvida pela Eli Lilly — mesma fabricante do Mounjaro (tirzepatida) —, a retatrutida ainda está na Fase 3 de ensaios clínicos, o que significa que seus testes em humanos não foram concluídos e a segurança do composto a longo prazo permanece um mistério.
Especialistas alertam que adquirir a substância em lojas de suplementos online, sites internacionais ou revendedores de redes sociais é um risco gravíssimo à saúde, pois, sem a chancela da Anvisa ou de agências internacionais, o consumidor fica totalmente vulnerável. Segundo a farmacêutica Cristiane Metzler, coordenadora na Unifacs, quem faz essa compra no mercado clandestino pode estar adquirindo um produto sem princípio ativo, em subdoses ou manipulado sem controle microbiológico e sem estabilidade química, tornando impossível saber o que realmente está sendo vendido ali. Os riscos críticos à saúde incluem contaminação biológica, já que laudos de vigilância sanitária apontam que até 30% dos injetáveis piratas apresentam contaminações graves por fungos e bactérias devido à falta de esterilidade no envase caseiro, além de erros graves de dosagem e o perigo de coquetéis ocultos, com risco de reações alérgicas severas e complicações neurológicas causadas pela mistura inadvertida de outras drogas na fórmula, como a insulina.
Em nota oficial, a Eli Lilly reforçou que a retatrutida só está disponível legalmente para os pacientes voluntários de seus estudos, afirmando que qualquer outra venda é ilegal e que o laboratório já denunciou vendedores irregulares às autoridades. Recentemente, a farmacêutica divulgou dados preliminares promissores do ensaio clínico Triumph-1, que avaliou o uso da substância por 80 semanas, mostrando que a dose de 4 mg proporcionou uma perda média de 19,0% do peso corporal (21,4 kg), a dose de 9 mg gerou uma redução de 25,9% (29,2 kg) e a dose máxima de 12 mg resultou em uma perda média de 28,3% do peso (31,9 kg). Diferente da tirzepatida, a retatrutida é um agonista triplo que atua nos receptores GLP-1, GIP e glucagon, sendo que este último opera de forma oposta à insulina, liberando glicose para gerar energia. Embora influenciadores e até profissionais de saúde relatem na internet que a droga preserva a massa magra e foca apenas na perda de gordura, cientistas alertam que ainda não há evidências robustas que comprovem essa tese. Por fim, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já proibiu e apreendeu lotes irregulares de marcas piratas como Synedica e TG, que continuam driblando a fiscalização ao anunciar envios internacionais, e reforça que remédios de origem desconhecida não devem ser usados em nenhuma hipótese, lembrando que a oferta, venda ou distribuição de medicamentos não autorizados no Brasil é considerada crime previsto no Código Penal. Fonte: Correio 24hrs

