Policia / Justiça

Fugas cinematográficas e suspeitas de corrupção cercam o sistema prisional da Bahia

Foto: divulgação

Apontado como uma das lideranças mais perigosas do estado, Fábio Souza dos Santos, o “Geleia”, completa mais de um ano foragido, evidenciando as profundas rachaduras no sistema carcerário baiano. Líder do Bonde do Maluco (BDM), sua fuga do Complexo Penitenciário Lemos Brito, em outubro de 2023, não foi apenas um erro de segurança, mas um episódio cercado de decisões administrativas nebulosas.

A saída de “Geleia” levanta suspeitas de facilitação por uma sucessão de fatos atípicos:

  • Desobediência Judicial: Em agosto de 2023, a Justiça proibiu qualquer benefício ou transferência ao detento.
  • A Movimentação Suspeita: Contrariando a ordem judicial, ele foi transferido para uma ala vulnerável do presídio. Menos de 24 horas depois, fugiu pela porta da frente.
  • Silêncio Administrativo: Até o momento, a Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP) não esclareceu quem assinou a transferência ou por que o prazo dado pela Justiça para explicações foi ignorado.

O caso de Salvador ganha um novo peso quando comparado à fuga ocorrida no Conjunto Penal de Eunápolis, em dezembro de 2024. Naquela ocasião, as investigações apontaram para um esquema de facilitação interna envolvendo figuras políticas ligadas ao governo estadual, como a ex-diretora da unidade e um ex-deputado.

Mensagens interceptadas nas investigações do Extremo Sul trazem uma frase perturbadora: “Quando a SEAP quer, ela abafa”. Embora não haja ligação provada entre os dois casos, o padrão de fragilidade levanta questionamentos inevitáveis sobre se as fugas são apenas falhas técnicas ou se fazem parte de uma “negociata” maior envolvendo dinheiro, influência e até apoio eleitoral em comunidades dominadas pelo crime.

O cenário exige uma postura firme do governador Jerônimo Rodrigues. A continuidade de criminosos de alta periculosidade nas ruas, após passarem pelo sistema estatal, compromete a segurança pública e a credibilidade das instituições. O Ministério Público tem o desafio de rastrear cada ato administrativo dentro da SEAP para separar a negligência da cumplicidade criminosa.

Enquanto as respostas não chegam, o crime organizado celebra a liberdade de um de seus principais chefes, e a pergunta continua ecoando: onde está Geleia e quem permitiu que ele saísse?. Fonte: IB