Professores de jiu-jítsu são denunciados por assédio e importunação sexual em Salvador
Atletas acusam professores de importunação e assédio sexual em academias de jiu-jítsu Crédito: Acervo Pessoal + Arisson Marinho/CORREIO
Duas denúncias de crimes sexuais envolvendo projetos sociais de jiu-jítsu em Salvador acenderam o alerta sobre o machismo e o abuso de poder no esporte. Os casos, registrados no mês de maio com apenas cinco dias de diferença, envolvem como vítimas uma adolescente de 16 anos e uma atleta profissional. Ambas as ocorrências já estão sob investigação em delegacias especializadas da Polícia Civil baiana.
O primeiro caso está sendo apurado pela Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Criança e ao Adolescente (Dercca). A denúncia foi feita pela mãe de uma jovem de 16 anos, ex-aluna de um projeto social sediado no bairro da Pituba.
- O fato: Segundo o boletim de ocorrência, o crime teria ocorrido no dia 1º de maio, durante uma viagem da equipe para uma competição em São Paulo. O acusado é o professor Rudá Boaventura de Macedo, que teria tocado as nádegas da menor sem o consentimento dela.
- Consequências: A mãe da vítima relatou que, após expor o ocorrido, a adolescente passou a sofrer constrangimentos dentro da equipe, perdeu o interesse pelas competições e decidiu se afastar do projeto. Outras alunas teriam relatado comportamentos semelhantes do suspeito.
O advogado do professor Rudá, Rogério Matos, negou veementemente a acusação, classificando-a como “denúncia caluniosa”. A defesa argumentou que o professor tem uma trajetória com cerca de cinco mil alunos e nenhum histórico de ocorrências anteriores, afirmando que os responsáveis pela denúncia serão responsabilizados legalmente após a apuração.
A segunda denúncia é investigada pela Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam) da Casa da Mulher Brasileira e foi formalizada pela atleta profissional Larissa Ferreira, integrante de um projeto social no bairro da Boca do Rio.
Abuso de autoridade: Larissa acusa um professor (cujo nome não foi divulgado) de utilizar sua posição de liderança para praticar assédio sexual, intimidação psicológica e manipulação contra as alunas.
Relato de punição: A atleta afirmou que, após mulheres da academia criarem um grupo para compartilhar relatos sobre a conduta do professor, foi organizado um treino “punitivo”. Segundo ela, as participantes foram submetidas a técnicas severas de asfixia como forma de represália.
Silenciamento: A denunciante explicou que permaneceu no projeto por anos pelo receio de ter sua carreira prejudicada no esporte, mas decidiu romper o silêncio após outras mulheres do cenário do jiu-jítsu tornarem públicas acusações parecidas.
O professor citado neste segundo caso foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado para se pronunciar. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações. Fonte: Correio 24hrs

