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“MORTO NÃO FALA”: Mensagens revelam que cúpula da Bamor planejou intimidar vítimas de tortura para calar denúncias

Fotos: divulgação

Relatórios do Ministério Público da Bahia (MP-BA) obtidos por meio da Operação Inquisição apontam que líderes da torcida organizada Bamor articularam ameaças e intimidações contra duas vítimas de tortura para evitar que os crimes fossem denunciados à imprensa ou às autoridades.

De acordo com as investigações, os celulares apreendidos durante a operação deflagrada em 28 de setembro trazem diálogos explícitos da cúpula da entidade. Em um dos áudios, o presidente da torcida, Matheus Pires Castro, chegou a ameaçar dobrar o tempo de uma nova sessão de espancamento caso a vítima continuasse relatando os abusos: “Próxima vez é oito horas, viu? Não vão ser quatro não, vão ser oito!”. Em outro momento, sugeriu o envio de integrantes diretamente à residência de um dos alvos para coagi-lo, além de orientar o apagamento de mensagens no WhatsApp para apagar vestígios.

Os episódios de violência extrema ocorreram nos dias 17 e 18 de julho, na sede da Bamor localizada no bairro de Nazaré, em Salvador. Sob o falso pretexto de prestar esclarecimentos sobre supostas irregularidades financeiras — alegações que carecem de comprovação —, as vítimas foram submetidas a cerca de quatro horas de tortura física e psicológica em cada data.

As apurações também detalham registros de vanglória entre os envolvidos. O diretor de marketing da torcida, Ricardo Henrique Almeida da Silva, gabou-se de ter quebrado o braço de um dos homens. Para blindar os executores diretos, Matheus teria instruído o grupo a culpar genericamente a diretoria organizada em eventuais vazamentos.

Diante dos elementos colhidos, o MP-BA formalizou denúncia contra dez investigados no dia 2 de outubro, imputando-lhes crimes que vão de organização criminosa e tortura até roubo, extorsão e ameaça. A promotora de Justiça Thelma Leal aponta a coautoria dos suspeitos em diversos graus de participação. Embora as conversas comprovem a intenção de silenciar os alvos através do terror, os investigadores ressaltam que não há confirmação de que as novas ameaças físicas tenham sido concretizadas. Fonte: IB