Crise no Oriente Médio ameaça eletrônicos: entenda por que o conflito no Irã pode encarecer seu celular
Especialistas alertam para um efeito cascata que pode atingir diretamente a indústria de tecnologia – Foto: AFP
O acirramento das tensões envolvendo o Irã e o possível bloqueio do Estreito de Ormuz acenderam um alerta vermelho na indústria tecnológica global. O motivo, no entanto, vai além do preço do combustível: o mundo enfrenta o risco de uma escassez crítica de gás hélio, insumo vital para a fabricação de chips e semicondutores.
Diferente do que muitos pensam, a utilidade do hélio vai muito além de balões de festa. Na indústria de alta tecnologia, ele é insubstituível devido a propriedades únicas:
- Resfriamento Extremo: Em estado líquido, o hélio atinge cerca de -270°C, temperatura necessária para dissipar o calor intenso na produção de chips.
- Estabilidade Química: Por ser um gás nobre e inerte, ele não reage com o silício, garantindo a pureza dos componentes eletrônicos.
O grande gargalo está na geografia. O Catar é responsável por mais de 33% da produção mundial de hélio. Com o fechamento das rotas marítimas pelo Irã, o escoamento desse gás fica paralisado.
- Dependência Asiática: A Coreia do Sul, gigante dos semicondutores (Samsung e SK Hynix), importa 65% do seu hélio do Catar.
- Efeito Cascata: Sem o gás, a produção de memórias e processadores trava, gerando atrasos que podem durar meses e elevar os preços ao consumidor final.
Embora o Texas (EUA) seja um grande produtor global, especialistas como Phil Kornbluth alertam que a oferta americana não consegue suprir a ausência do Catar sozinha. Para ele, o mercado vive a calmaria antes da tempestade:
“É como um tsunami. Ainda estamos na praia. Sabemos que a onda vem, mas, por enquanto, ainda temos um pouco de tempo.” Fonte: A Tarde

