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Operação Sintonia de Gravata: OAB-BA reage à prisão de advogados suspeitos de elo com facções

Operação prendeu oito advogados na Bahia Crédito: Polícia Civil

Investigação revela que profissionais usavam prerrogativas para burlar segurança máxima e transmitir ordens de líderes criminosos.

A Ordem dos Advogados do Brasil — Seccional Bahia (OAB-BA) manifestou-se publicamente após a deflagração da Operação Sintonia de Gravata, que resultou na prisão de oito advogados nesta sexta-feira (3). O grupo é suspeito de integrar um braço logístico que viabilizava a comunicação entre chefes de facções criminosas custodiados e comparsas em liberdade.

Em nota oficial, a entidade informou que acompanhou a execução dos mandados por meio da Comissão de Direitos e Prerrogativas para garantir o cumprimento da legislação.

A presidenta da seccional, Daniela Borges, já acionou a Procuradoria Jurídica para solicitar ao Tribunal de Justiça o acesso integral aos autos. O objetivo é analisar o material e encaminhá-lo ao Tribunal de Ética e Disciplina (TED).

“Após a análise da documentação, o material será encaminhado ao TED da OAB-BA para adoção das providências cabíveis, inclusive a eventual suspensão preventiva dos advogados envolvidos”, declarou a instituição.

A Ordem ressaltou ainda que dará o suporte necessário para que a ampla defesa e o contraditório sejam assegurados aos defensores dos investigados.

De acordo com as investigações, os advogados envolvidos abusavam das prerrogativas da profissão para romper o isolamento de um presídio de segurança máxima. Eles funcionavam como “mensageiros”, transmitindo ordens diretas de lideranças trancafiadas para as ruas.

Esse canal permitia a gestão contínua de atividades ilícitas, tais como:

  • Administração do tráfico de drogas;
  • Compra e distribuição de armas de fogo;
  • Movimentação de recursos financeiros;
  • Resolução de conflitos internos das organizações.

Para a polícia, a estrutura funcionava de forma altamente hierarquizada e dividida por funções específicas.

Ao todo, a Justiça expediu 22 mandados de prisão preventiva (8 contra advogados e 14 contra detentos) e ordens de busca e apreensão em cidades como Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari.

Entre os profissionais presos estão Fernanda Oliveira Borges (apontada como a primeira advogada trans da Bahia), Luan Mascarenhas de Souza e Ícaro Cardoso Viana (de Serrinha), e Maria Tereza Novaes Martins (de Feira de Santana). Também foram detidos Izabela da Silva de Oliveira, Maria Mariana Batista de Oliveira, Tamires Felix Alves Silva e Luã Santos da Costa, que integram conselhos da Seccional Bahia da OAB.

Além das prisões, foram apreendidos computadores, celulares e documentos. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em ativos financeiros dos investigados, além do confisco e indisponibilidade de carros, imóveis, embarcações e aeronaves. Fonte: Correio 24hrs