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Linfoma não Hodgkin: Conheça os sintomas, fatores de risco e o avanço no tratamento do câncer que afetou o cantor Netinho

Netinho durante tratamento Crédito: Reprodução/Instagram

A morte do cantor Netinho, nesta terça-feira (13), em Salvador, gerou grande repercussão e voltou a colocar em evidência o linfoma não Hodgkin (LNH), tipo de câncer que o artista enfrentava desde 2025. Um dos principais nomes da Axé Music, conhecido por sucessos que marcaram gerações, o cantor faleceu em decorrência de falência renal e disfunção múltipla de órgãos associadas ao seu quadro clínico.

Diante da repercussão do caso, especialistas reforçam a importância da conscientização sobre a doença, cujos números exigem atenção da saúde pública. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar 12.560 novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Do total, são esperados 6.580 casos em homens e 5.980 em mulheres anualmente. Em relação à mortalidade, os dados mais recentes do Inca apontam 5.046 óbitos por linfoma não Hodgkin em 2024. Na Bahia, a estimativa é de 640 novos casos anuais.

“O linfoma não Hodgkin é um câncer que se desenvolve a partir dos linfócitos, células responsáveis pela defesa do nosso organismo. Elas estão presentes nos gânglios linfáticos, no sangue, no baço, na medula óssea e em diversos outros órgãos”, explica o médico e doutor em oncologia Iran Costa.

O especialista ressalta que não se trata de uma doença única, mas sim de um grupo com dezenas de subtipos de câncer, que apresentam comportamentos e tratamentos diferentes. O LNH ocupa a 11ª posição entre os tipos de incidência mais comuns no país (excluindo os tumores de pele não melanoma). Embora possa surgir em qualquer idade, a frequência da doença aumenta com o envelhecimento.

As causas exatas ainda não são totalmente compreendidas pela ciência, mas sabe-se que alguns fatores elevam o risco:

  • Alterações do sistema imunológico
  • Infecções virais específicas
  • Doenças autoimunes
  • Exposição prolongada a determinados agentes químicos

Entre os principais sintomas e sinais de alerta destacam-se:

  • Aparecimento de ínguas (gânglios inchados), especialmente no pescoço, nas axilas e nas virilhas
  • Febre persistente
  • Suor noturno intenso
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Cansaço excessivo e fraqueza

O cantor Netinho, por exemplo, buscou atendimento médico inicialmente após apresentar dores nas costas e nas pernas, além de fraqueza. O tipo diagnosticado nele foi o linfoma não Hodgkin do tipo B, a forma mais comum da doença — responsável por cerca de 80% a 90% dos casos —, que se origina nos linfócitos B, encarregados da produção de anticorpos.

Um dos maiores obstáculos no combate à doença é o diagnóstico tardio. Sintomas iniciais como fadiga e perda de peso podem ser facilmente confundidos com outras condições cotidianas. Além disso, os especialistas lembram que nem toda íngua é sinal de câncer; a grande maioria está relacionada a processos benignos, como infecções comuns.

A confirmação exige investigação especializada, frequentemente incluindo a realização de biópsia do tecido afetado e exames moleculares para detalhar o subtipo exato do tumor.

“É importante que a população compreenda que o diagnóstico de linfoma não Hodgkin não significa uma sentença de morte. Estamos falando de um grupo de doenças para as quais a medicina desenvolveu tratamentos extremamente eficazes”, conclui o oncologista Iran Costa.

Com opções que variam entre quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e terapias-alvo, o prognóstico depende do subtipo, da extensão da doença e da resposta individual do paciente, sendo que o tipo B pode apresentar taxas de resposta ao tratamento entre 70% e 90%. Fonte: Correio 24hrs