Bahia torna obrigatório apoio psicológico para policiais envolvidos em mortes em serviço
Ação da Polícia Civil – Foto: Joá Souza | Ag. A TARDE
A Polícia Civil da Bahia oficializou, nesta terça-feira (10/03), a criação do MILAE (Programa de Atendimento Psicológico aos Policiais Civis envolvidos em Morte por Intervenção Legal). A medida, assinada pelo delegado-geral André Augusto Mendonça Viana e publicada no Diário Oficial, estabelece o acompanhamento mental obrigatório para agentes que participarem de ações com resultado letal.
O programa visa oferecer suporte emocional imediato após ocorrências críticas (confrontos ou legítima defesa) para prevenir transtornos mentais e traumas.
- Prazo Crítico: O primeiro atendimento deve ocorrer em até 72 horas após o episódio.
- Obrigatoriedade: A participação na sessão inicial é mandatória para o agente.
- Acompanhamento: Realizado por psicólogos do Departamento de Gestão de Pessoas da própria instituição, de forma individual ou coletiva.
Dependendo da avaliação técnica dos profissionais de saúde, o policial poderá passar por:
- Encaminhamento para médicos especialistas;
- Afastamento temporário das atividades de campo;
- Recolhimento preventivo da arma institucional;
- Mudança temporária de função para preservação da saúde mental.
A implementação do programa surge em um momento em que a Bahia enfrenta números alarmantes de violência. De acordo com dados do Ministério da Justiça:
- Liderança Nacional: A Bahia ocupa o primeiro lugar no ranking de mortes em intervenções policiais no Brasil.
- Estatísticas de 2025: Foram registradas 1.569 mortes em ações policiais no estado.
- Crescimento: Somente em Salvador e Região Metropolitana, o Instituto Fogo Cruzado contabilizou mais de 500 mortes, um aumento de 5% em comparação aos anos de 2023 e 2024.
A nova diretriz busca equilibrar a eficiência operacional com o cuidado humano, reconhecendo o impacto psicológico que o uso da força letal exerce sobre os servidores da segurança pública. Fonte: A Tarde

