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“Curso do Tráfico”: Polícia flagra criminosos treinando operação de drones para ataques e espionagem no RJ

Reprodução/TV Globo

Uma investigação conduzida pelas autoridades policiais do Rio de Janeiro revelou um novo nível de sofisticação tecnológica no crime organizado. Traficantes passaram a promover treinamentos para ensinar criminosos a operar drones. Imagens obtidas pela polícia mostram dezenas de pessoas reunidas em uma quadra no Complexo da Penha, na Zona Norte, durante uma aula realizada há cerca de duas semanas.

O objetivo do grupo é expandir o uso tático desses equipamentos, que são facilmente encontrados no mercado legal, mas que vêm sendo adaptados para fins ilícitos. Além de atuarem como ferramentas de vigilância avançada — permitindo monitorar a movimentação policial e de facções rivais —, os aparelhos se transformaram em plataformas de ataque.

A gravidade do uso clandestino de drones ficou evidente na última semana, quando um equipamento equipado com uma granada foi lançado contra rivais na comunidade do Canal, em Vargem Grande. O artefato atingiu um trailer, mas felizmente não deixou feridos.

Segundo a Polícia Militar, o ataque teve uma logística ousada: o drone foi pilotado a partir de um apartamento de cobertura alugado por criminosos no Recreio dos Bandeirantes, percorrendo cerca de dois quilômetros até o alvo. Dois suspeitos foram presos na ocasião, com apreensão de granadas caseiras, dinheiro e o equipamento utilizado.

Além da violência urbana, a prática coloca em risco a segurança aérea. Investigadores apontam que drones do tráfico já foram flagrados sobrevoando áreas próximas às rotas de helicópteros e aviões que operam no Aeroporto de Jacarepaguá. Especialistas alertam que uma colisão com esses aparelhos pode causar danos catastróficos e comprometer o controle das aeronaves.

Atualmente, a Polícia Civil investiga 18 ocorrências oficiais envolvendo o lançamento de bombas por meio de drones, embora a suspeita seja de que o número real de ataques seja ainda maior.

Embora a comercialização de drones seja livre, a operação dos aparelhos é rigorosamente regulamentada por normas de segurança — incluindo limites de altitude, restrições em zonas aeroportuárias e exigência de cadastros —, regras que são totalmente ignoradas pelo crime organizado para perpetrar ações armadas e espionagem.

Local: Complexo da Penha (Zona Norte) e bases de apoio na Zona Oeste, Rio de Janeiro (RJ).

Nova Ameaça: Facções criminosas oferecendo “aulas” para ensinar criminosos a pilotar drones.

Modus Operandi: Adaptação de equipamentos civis para monitoramento territorial, espionagem de forças de segurança e lançamento de explosivos contra rivais.

Riscos Conexos: Sobrevoos irregulares próximos às rotas de aeronaves do Aeroporto de Jacarepaguá.

Ações Policiais: Identificação de 18 ocorrências com bombas lançadas por drones e prisão recente de dois suspeitos com artefatos caseiros e equipamentos. Fonte: Bnews