Sem acordo sobre cachê, Flávio José barra Bahia e fecha agenda de São João em outros estados
Cantor se recusou reduzir o cachê para se encaixar nas novas normas do MP-BA – Foto: Rafaela Araújo | Ag. A TARDE
O cantor recusou reduzir valores após novas diretrizes de transparência do Ministério Público baiano e fará 14 apresentações pelo Nordeste.
O cantor Flávio José oficializou sua agenda para o São João e, para a surpresa de muitos fãs, a Bahia ficou totalmente de fora da rota. O anúncio confirmou 14 apresentações ao longo do mês de junho, distribuídas por cinco estados do Nordeste: Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.
A decisão drástica veio após o esgotamento das negociações entre a equipe do artista e o Ministério Público da Bahia (MP-BA), que busca regulamentar o teto dos gastos públicos com festas juninas.
O ponto central da divergência é o valor do cachê. O MP-BA tem emitido recomendações para que os municípios limitem os pagamentos com base nos valores do ano passado, corrigidos apenas pela inflação (IPCA), para frear o aumento descontrolado de custos no erário público.
Segundo a promotora Rita Tourinho, Flávio José foi irredutível:
“O cantor não aceitou nenhum tipo de negociação e não aceita reduzir nenhum real do contrato dele. Isso coloca o Ministério Público em uma situação complexa, porque já fechamos acordo com diversos artistas consagrados, como Adelmário Coelho, Amado Batista, Elba Ramalho e Alceu Valença.”
Tourinho lamentou o desfecho, ressaltando que até o representante do cantor sugeriu alternativas que foram negadas pelo artista. Não houve medida judicial contra Flávio José; a ausência do estado partiu de uma decisão do próprio cantor devido às novas exigências.
A preocupação do MP-BA se justifica pela “escalada significativa” nos custos do São João nos últimos quatro anos. De acordo com a entidade, a média dos contratos saltou de R$ 200 mil para cerca de R$ 700 mil.
No caso de Flávio José, os contratos previstos para este ano acenderam o alerta. Ele pleiteava R$ 350 mil por show em cidades como Dias d’Ávila e Senhor do Bonfim — um aumento de R$ 100 mil por apresentação em relação ao ano anterior. Como base de comparação, no ano passado o artista faturou R$ 3,7 milhões na Bahia, cobrando R$ 250 mil na maioria das cidades e R$ 500 mil em Mata de São João.
Com o cancelamento das negociações, as apresentações que antes constavam no Painel da Transparência dos Festejos Juninos da Bahia já foram removidas.
05 de junho: Aracaju (SE)
06 de junho: Campina Grande (PB) — com duas apresentações
12 de junho: Cabo de Santo Agostinho (PE)
13 de junho: Arcoverde (PE) e Campina Grande (PB)
14 de junho: Assú (RN)
19 de junho: Cuité (PB)
20 de junho: Serra da Raiz (PB) e Bananeiras (PB)
25 de junho: Monteiro (PB)
28 de junho: Aracaju (SE)
29 de junho: Arapiraca (AL) e Coruripe (AL)
Nota: A equipe de reportagem buscou contato com a assessoria de Flávio José para contrapor as declarações, mas não obteve retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestações. Fonte: A Tarde

