Massacre na Nigéria: Bombardeio aéreo em mercado deixa mais de 100 mortos
Três aviões militares bombardearam a área – Foto: Reprodução | Redes Sociais
Um trágico ataque aéreo realizado por aeronaves militares atingiu um mercado semanal no nordeste da Nigéria no último domingo (12), resultando na morte de, pelo menos, 100 civis. O incidente ocorreu na localidade de Jilli, estado de Yobe, uma região historicamente fustigada pela insurgência de grupos jihadistas como o Boko Haram.
Embora o balanço inicial aponte para uma centena de fatalidades, os números podem ser ainda mais alarmantes:
- Anistia Internacional: Confirma ao menos 100 mortos e relata que três aviões participaram da ofensiva. O Hospital Geral de Geidam recebeu dezenas de feridos em estado grave.
- Lideranças Locais: Fontes consultadas pela agência Reuters, incluindo chefes tradicionais da região, estimam que o total de mortos pode ultrapassar 200 pessoas.
O governo do estado de Yobe admitiu que civis foram atingidos durante a operação, que tinha como alvo um reduto do Boko Haram. O general de brigada Dahiru Abdulsalam confirmou que frequentadores do mercado foram “afetados”, mas evitou detalhar o número de baixas.
Por outro lado, a Força Aérea da Nigéria defendeu a ação, descrevendo-a como um “ataque de precisão” contra posições terroristas. Em nota oficial, a instituição não fez menção direta ao bombardeio do mercado ou à morte de inocentes.
A tragédia em Jilli reacende o debate sobre o custo humano das estratégias militares no país.
“Exigimos uma investigação imediata, independente e imparcial para que os responsáveis sejam levados à justiça”, declarou Isa Sanusi, diretor da Anistia Internacional na Nigéria.
Dados levantados pela Associated Press indicam um padrão preocupante: desde 2017, pelo menos 500 civis morreram em bombardeios aéreos conduzidos pelas Forças Armadas nigerianas sob a justificativa de combate ao terrorismo.
A região nordeste da Nigéria vive em estado de guerra desde 2009. O conflito, que envolve o Boko Haram e a facção dissidente ISWAP (Estado Islâmico na Província da África Ocidental), intensificou-se recentemente. O ataque em Yobe ocorre em um momento de escalada da violência, seguindo-se a operações conjuntas entre Nigéria e Estados Unidos realizadas no final de 2025. Fonte: A Tarde

