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Argentina endurece política migratória e barra aliados do regime de Maduro após ofensiva dos EUA

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Geral

O governo da Argentina anunciou neste sábado (3) a adoção de novas regras migratórias que restringem a entrada no país de funcionários públicos, militares e empresários ligados ao regime de Nicolás Maduro. Em nota oficial, o Ministério de Segurança Nacional afirmou que a medida tem como objetivo impedir que colaboradores do governo venezuelano utilizem o território argentino como refúgio político. Segundo o comunicado, o país não concederá asilo a pessoas associadas à administração de Caracas.

A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise diplomática na região após a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela. O presidente argentino, Javier Milei, manifestou apoio explícito à ação norte-americana e declarou celebrar a captura de Nicolás Maduro, a quem classificou como “ditador” e “inimigo da liberdade”. Milei comparou o papel da Venezuela no continente ao de Cuba durante a década de 1960, período marcado pelo isolamento internacional da ilha.

O episódio reacende o debate sobre intervenções dos Estados Unidos na América Latina. A última ação militar direta de Washington na região havia ocorrido em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega sob acusações de narcotráfico. De forma semelhante, os EUA acusam Maduro de chefiar o suposto cartel De Los Soles, alegação que, segundo especialistas em tráfico internacional, carece de provas concretas.

Durante o governo Donald Trump, os Estados Unidos chegaram a oferecer uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano. Críticos da ofensiva afirmam que a operação tem motivação geopolítica, com o objetivo de afastar a Venezuela de aliados estratégicos como China e Rússia e ampliar a influência norte-americana sobre o setor energético do país, que detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

As novas medidas adotadas pela Argentina reforçam o alinhamento do governo Milei à política externa dos Estados Unidos e indicam um endurecimento do posicionamento argentino em relação à Venezuela no cenário regional. fonte: IB