De projeto de catequese à SAF: Padre põe Catanduva FC à venda por R$ 1,5 milhão e atrai investidores globais
Catanduva – Foto: CFC
Fundador do clube paulista e atual prefeito da cidade, sacerdote busca comprador para focar na gestão municipal e na vida religiosa; equipe já soma seis propostas de compra.
Um dos enredos mais peculiares do futebol paulista pode estar perto de ganhar um novo capítulo. O Catanduva Futebol Clube, atualmente na Série A3 do Campeonato Paulista, está à procura de um novo proprietário. À frente das negociações está o Padre Osvaldo de Oliveira Rosa — fundador da equipe, prefeito da cidade e detentor de 90% das ações da Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
Diante do desafio de conciliar a rotina na prefeitura, o sacerdócio e os bastidores do futebol profissional, o padre colocou sua participação à venda com valores entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões. A oferta gerou forte repercussão e atraiu ao menos seis propostas formais, vindas de empresários brasileiros e de grupos internacionais de países como Estados Unidos e Colômbia.
“Recebemos diversas sondagens de investidores neste ano. O clube está aberto a negociações, mas, até o momento, não há nenhuma venda definida. Nossa intenção é dar continuidade ao trabalho, buscando investimentos que fortaleçam o futebol profissional e a base”, declarou o sacerdote.
Apesar das investidas, o processo é tratado sem pressa. Um dos fatores que influencia na precificação é a ausência de um estádio próprio — as partidas são realizadas no Estádio Silvio Salles, pertencente ao município e fora do patrimônio da SAF.
A história do Catanduva FC nasce de um propósito social e religioso. Fundado em novembro de 2017 pelo Padre Osvaldo, o projeto começou como uma escolinha comunitária para aproximar crianças das aulas de catequese. Para treinar, era obrigatório frequentar a formação religiosa.
O rápido crescimento da iniciativa transformou o projeto amador em um clube profissional, sem perder a identidade de origem:
- Mascote: São Domingos, o padroeiro da cidade.
- Apelido: Conhecido carinhosamente como “Santo”.
- Escudo: Reúne a cruz (origem católica), as cores da bandeira municipal e uma engrenagem (símbolo da indústria local).
Na retaguarda administrativa, o Padre Osvaldo divide a gestão com o irmão, Padre Ernesto, além de contar com o apoio de patrocinadores da região para fechar a conta do orçamento.
No gramado, o Catanduva construiu uma trajetória ascendente. Após deixar a última divisão (“Bezinha”) com o acesso conquistado em 2023, o clube consolidou seu espaço na Série A3. Chegou ao mata-mata nas temporadas de 2024 e 2025 e já atrai nomes de peso — como o atacante Thiago Ribeiro (ex-São Paulo, Cruzeiro e Santos), que vestiu as cores da equipe em 2024.
Com um aproveitamento histórico superior a 50% em 143 partidas oficiais, a diretoria já confirmou que o projeto segue firme e a equipe disputará a A3 em 2027, independentemente do desfecho da venda.
Localizada no interior paulista (próxima a polos futebolísticos emergentes como Mirassol e Novo Horizonte), a cidade de 120 mil habitantes reelegeu o Padre Osvaldo como prefeito em 2024. Seu mandato estende-se até o final de 2028, fator decisivo para a busca por um parceiro investidor que assuma o comando do clube.
Enquanto o Catanduva vive momento de reestruturação e busca por novos investimentos, o outro time da cidade — o tradicional Grêmio Catanduvense — atravessa um período delicado nas divisões inferiores do estado, reforçando o papel do “Santo” como a principal força do futebol local no momento. Fonte: A Tarde

