PT protocola pedido de cassação do mandato de Flávio Bolsonaro por quebra de decoro
O senador Flávio Bolsonaro – Foto: Carlos Moura/Agência Senado
O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou na noite da última quarta-feira (2) uma representação no Conselho de Ética do Senado solicitando a perda do mandato do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido, assinado pelo presidente nacional da legenda, Edinho Silva, acusa o parlamentar de quebra de decoro decorrente de supostas contradições em sua relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A investida do partido ocorre após a divulgação de registros e áudios que indicam que o senador teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, obra biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o PT, as negociações mantiveram-se ativas mesmo após as suspeitas em torno da situação financeira do Banco Master virem a público.
A legenda aponta divergências entre as explicações públicas dadas pelo parlamentar e os fatos revelados pela imprensa:
- Versões conflitantes: O partido argumenta que as justificativas de Flávio sobre os recursos destinados ao longa-metragem e seus laços com o banqueiro apresentam incoerências que justificam a apuração ética.
- Repasse milionário: Enquanto o senador declarou em entrevista à GloboNews que o último repasse de Vorcaro havia ocorrido em maio de 2025, uma reportagem da revista Piauí apontou uma nova transferência de US$ 1,6 milhão (mais de R$ 8 milhões na cotação atual) em setembro daquele ano para o fundo Havengate, gestor do projeto.
Para o PT, a utilização da influência do cargo político em tratativas privadas de alta vulto, somada a declarações incompatíveis com registros documentais, compromete a compostura exigida pelo mandato.
O documento agora segue o rito padrão do Conselho de Ética do Senado. Cabe ao presidente do colegiado, senador Jayme Campos (União Brasil-MT), verificar os requisitos formais de admissibilidade, como prazos e solidez das provas apresentadas.
Caso o pedido seja aceito e transformado em representação oficial, o relator será designado e Flávio Bolsonaro será formalmente notificado. A partir de então, o parlamentar terá o prazo de dez dias úteis para apresentar sua defesa prévia por escrito, juntar provas e indicar até cinco testemunhas. Fonte: a Tarde

