Policia / Justiça

Advogada relata luta de quase 8 anos por justiça após acusação de estupro em seleção de estágio na RMS

Marcela resolveu contar sua história para incentivar outras possíveis vítimas do advogado a denunciá-lo – Foto: Arquivo pessoal

Uma batalha judicial que se estende por quase oito anos mobiliza o judiciário baiano após a acusação de violência sexual feita pela advogada Marcela Ribeiro Santos Macedo, hoje com 28 anos, contra o também advogado Silvio Nei Oliveira da Silveira, de 50. O crime teria ocorrido em 4 de outubro de 2019, um dia após a vítima completar 22 anos, dentro do escritório do investigado, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), durante uma entrevista de estágio.

Segundo o relato de Marcela, o advogado pediu uma garrafa de vinho durante a conversa e, posteriormente, solicitou ao porteiro do prédio que comprasse outra já aberta. Após consumir a bebida, a estudante passou mal, vomitou e perdeu a consciência.

No dia seguinte, ao acordar em casa com marcas de agressão no pescoço e no corpo, a vítima buscou orientações acadêmicas e policiais:

  • Exame de Corpo de Delito: O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou a presença de sêmen compatível com o DNA do acusado, colhido após mandado de busca e apreensão.
  • Impactos Psicológicos: A advogada relata fazer uso contínuo de medicamentos controlados para lidar com traumas e pesadelos recorrentes decorrentes do caso.

O processo (nº 0500285-58.2020.8.05.0150) tramita em segredo de justiça na 1ª Vara Criminal de Lauro de Freitas. O trâmite enfrentou desdobramentos recentes, incluindo o reconhecimento de impedimento superveniente da magistrada anterior pela Seção Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) e recursos direcionados à anulação de atos processuais.

Procurado pela reportagem, o advogado Silvio Nei Oliveira da Silveira negou as acusações e rebateu as alegações, sustentando que os fatos estão sob sigilo de justiça e que se manifestará formalmente após trâmites pendentes.

“Eu tenho uma porção de provas que demonstram por que o processo não está parado. Nunca tive uma pontuação criminal antes na minha vida”, declarou o advogado, afirmando atuar na própria defesa.

Órgãos como o TJ-BA, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e a OAB-BA destacaram que o sigilo legal impede o detalhamento público de procedimentos disciplinares e judiciais em andamento. Fonte: A Tarde