Vem aí o maior telescópio do mundo

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Na semana passada, a Holanda passou a fazer parte do consórcio internacional responsável pela construção do maior telescópio do mundo, o SKA.

Um importante passo na direção da viabilização do maior telescópio do mundo foi dado na semana passada, a entrada da Holanda no consórcio internacional do SKA, sigla em inglês para matriz de quilômetro quadrado. 

Mas o que é o projeto SKA?

O projeto SKA, agora mais próximo da realidade, é uma iniciativa colaborativa entre 17 países, entre europeus, asiáticos, africanos e Oceania para construir o maior telescópio do mundo (Brasil de fora mais uma vez). 

Qual o tamanho do telescópio? 

O próprio nome do projeto já dá uma pista: o telescópio terá uma área coletora efetiva na casa do quilômetro quadrado! Aproximadamente 0,4 quilômetro quadrado para ser mais preciso. Uma maneira simples de tentar visualizar esse número é imaginar um quadrado mais de 630 m de lado (mais de 6 quarteirões). A área desse quadrado é o equivalente da área coletora deste telescópio. 

Vai funcionar assim:

O SKA será um conjunto de antenas para observar o universo em baixas frequências de rádio. O telescópio em si será formado combinando-se o sinal captado por milhares de antenas pequenas separadas em conjuntos espalhados pelo terreno. Essa técnica é chamada de interferometria e já é feita há décadas em radioastronomia. 

O observatório ALMA no Chile funciona com esse princípio, suas antenas podem ser deslocadas para formar uma antena equivalente de diversos diâmetros, que pode atingir uma largura de base de 16 km.

Outro telescópio famoso que funciona com esse princípio é o Telescópio do Horizonte de Eventos (HET) que fez a primeira imagem de um buraco negro. Ele combinou dados obtidos em radiotelescópios espalhados pelo globo para formar uma única antena com o diâmetro do próprio planeta. 

O SKA vai ser construído em dois países, a África do Sul e a Austrália, e seu quartel general ficará na Inglaterra. Não foi fácil encontrar um local para sua construção, pois é preciso estar afastado de interferências, como as de sinais de celular, rádio, TV e até mesmo equipamentos elétricos! 

Além disso, o local também deveria ter uma boa transparência para as ondas de rádio espaciais e ter condições de sustentar esses requisitos por décadas à frente. Fora as condições logísticas de abastecimento de energia e transmissão de dados. “Toneladas” de dados! Essas condições convergiram para duas localidades: as savanas africanas e o interior desabitado da Austrália.

Mas quais são os objetivos deste consórcio de 17 países que estão investindo mais de US$ 2 bilhões em um projeto desta magnitude?

Bom, começando pelo mais complicado, estudar os efeitos da Relatividade Geral em ambientes extremos. Traduzindo: testar se as previsões da teoria de Einstein em condições extremas, como fez o HET com o buraco negro de M87, também são válidas. Caso contrário será preciso “remendar” a teoria. Além disso o SKA vai monitorar exoplanetas próximos com a intenção de saber se eles estão emitindo ondas de rádio que possam ser identificadas como de origem artificial. Ou seja, se esses planetas abrigam vida inteligente. Além desses dois objetivos principais, o SKA deve estudar os estágios iniciais do universo em detalhes sem precedentes.

A entrada da Holanda é um marco importante, pois com seus 30 milhões de euros, a construção das mais de 130 mil antenas poderá começar em breve. Na primeira fase do projeto, o SKA deverá contar com 130 mil antenas na Austrália e 200 na África do Sul. Se as condições de observação forem tão favoráveis quanto os estudos iniciais mostraram, uma segunda fase está planejada e com ela o número de antenas deve chegar a mais de 1 milhão! 

A primeira fase do SKA começou ano passado e espera-se que na próxima década ela esteja finalizada. Por essa época, a coleta de dados chegará a 157 terabytes por segundo! Imagine o desafio para se processar tudo isso.

G1

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