Variante brasileira já circula em ao menos oito municípios baianos

Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram novas alterações nas variantes do novo coronavírus em circulação no Brasil. Essa variante já foi identificada pela Secretaria da Saúde da Bahia (Sesab) em Salvador, Irecê, João Dourado, Itabuna, Ilhéus, Amargosa, Lauro de Freitas e Santa Luz.

Segundo o estudo publicado nesta terça-feira, 23, até o momento, as alterações encontradas ainda não caracterizam a formação de uma nova linhagem do Sars-CoV-2, uma vez que poucos genomas apresentam as alterações, mas ressaltaram que é preciso permanecer com o monitoramento genômico para acompanhar se essas alterações aumentarão de frequência.

“Esta nova geração de variantes pode ser menos suscetível à neutralização dos anticorpos que suas linhagens parentais P.1, P.2 e B.1.1.33. A pandemia de Covid-19 em 2021 no Brasil provavelmente será dominada por esse novo e complexo conjunto de variantes”, disse Tiago Gräf, que é pesquisador em saúde pública da Fiocruz Bahia e participa do estudo.

Atualmente o Brasil tem quatro variantes principais do coronavírus em circulação. Uma delas, a P.1, originada no Amazonas, é considerada uma variante de preocupação devido à maior transmissibilidade e capacidade de escapar de anticorpos de infecções anteriores pelo coronavírus, o que tem colaborado para uma explosão de casos no país.

As mutações detectadas ocorreram na proteína Spike, que é associada à capacidade de entrada do patógeno nas células humanas e é um dos principais alvos dos anticorpos produzidos pelo organismo para bloquear o vírus.

Os novos resultados, detectados a partir da metodologia de sequenciamento genético, são provenientes de amostras coletadas de pacientes de sete estados: Amazonas, Bahia, Maranhão, Paraná, Rondônia, Minas Gerais e Alagoas.

A Fiocruz esclarece que a as modificações ocorreram no domínio amino (N)-terminal (NTD), que podem dificultar a ligação com anticorpos e, assim, promover o escape imunológico do vírus no corpo humano. Mas os cientistas adiantam que dados experimentais complementares são necessários para testar essa hipótese nas linhagens que circulam no país.

Recorde

A divulgação do estudo acontece no mesmo dia que o Brasil registra o maior número de mortes causadas pelo coronavírus em 24h. Foram 3.251 óbitos e 82.493 diagnósticos positivos do vírus no país.

Com base nos novos dados divulgados, a taxa de letalidade do coronavírus em território brasileiro corresponde a 2,46% de todas as pessoas infectadas pela doença. Anteriormente, o maior número de mortes contabilizadas em um único dia, havia sido de 2.841 vítimas.

O estado com maior número de mortes ocorridas pela doença segue sendo São Paulo, com mais de 68 mil vítimas e mais de 2,3 milhões de contaminações. Nesta terça-feira, o território paulista conseguiu sozinho registrar mais de mil óbitos, com 1.021 contabilizados no último balanço estadual.

A atualização do boletim da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) divulgou nesta terça, cerca de 133 mortes e 4.061 novas contaminações. Assim o território baiano já possui cerca de 14,3 mil vítimas e pouco mais de 1 milhão de contaminados. Portal A Tarde

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