Sindicato marca assembleia e ônibus de Salvador não irão circular das 4h às 8h da manhã nesta sexta

O Sindicato dos Rodoviários da Bahia informou que os ônibus de Salvador não irão circular das 4h às 8h da manhã desta sexta-feira, 28. O motivo é a realização de assembleias em todas as garagens do sistema de transporte da capital, quando a categoria irá deliberar sobre campanha salarial e vacinação para os trabalhadores rodoviários. 

O anúncio acontece após audiência de conciliação  promovida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (TRT5) nesta quinta-feira, 27, com os representantes patronais para debater a pauta de reivindicações da categoria. Uma nova reunião ficou agendada para a próxima segunda-feira, 31.

“Estamos reivindicando 9% de reajuste e os empresários fizeram uma proposta de 3%. Vamos levar a deliberação da audiência para todas as garagens dos sistema de transporte. Vamos levar a proposta à categoria e certamente não aceitaremos os 3%.”, afirmou o vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo. 

“Além da campanha salarial, estamos brigando pela vacinação da categoria. Somos contra a decisão do TJ-BA (que suspendeu a vacinação ‘indiscriminada’ de rodoviários), já que perdemos mais de 32 trabalhadores para a pandemia. Desde o início estamos na linha de frente,  com ônibus lotados e sem segurança nenhuma.”, criticou Primo. 

Suspensão da vacinação “indiscriminada” 

Após pedido da Prefeitura de Salvador, a desembargadora Gardênia Duarte, da 4ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), suspendeu a vacinação “indiscriminada” dos rodoviários da capital. A decisão judicial derrubou uma liminar ajuizada pelo Sindicato dos Rodoviários, que permitia aos trabalhadores da categoria de até 18 anos serem incluídos nos grupos prioritários de vacinação. 

De acordo com a prefeitura, a ação do sindicato incluía, de forma genérica, demais trabalhadores da classe, dentre os quais de postos administrativos. Segundo o secretário de saúde do município, Leo Prates, a decisão do TJ-BA não afetará a vacinação contra a Covid-19 de motoristas e cobradores residentes na capital.

“Conforme o PNO [Plano Nacional de Operacionalização de Vacinação contra a Covid-19, cobrador e motorista [podem ser vacinados]. Nós já vacinamos acho que a totalidade. Abrimos para o intermunicipal que tinham, sediados em Salvador e que prestavam serviço aqui, e para os rodoviários daqui, todos os cobradores e motoristas. Se falta alguma coisa é residual, e nós faremos, sim.”, declarou Prates.

“A liminar [do sindicato] falava em todos os rodoviários. Mas o PNO define como rodoviários cobrador e motorista. O setor administrativo das empresas não está no PNO. Então, por isso que eu acho que a prefeitura recorreu e pediu a suspensão da liminar. Porque isso extrapolava o PNO e poderia nos trazer problemas no futuro”, disse o secretário.

Críticas 

Para o vice-presidente do sindicato, Fábio Primo, a posição da prefeitura de Salvador em cassar a liminar  é “injusta” à categoria. “É injusta essa posição da Prefeitura de Salvador, na pessoa do secretário de Saúde, Leo Prates. É desumano essa decisão do secretário em entrar com um pedido de cassação da liminar.”, disse. 

De acordo com o vereador e diretor de Formação Política do Sindicato dos Rodoviários, Tiago Ferreira (PT), a suspensão da liminar é uma “sentença de morte aos trabalhadores rodoviários”.

“Essa decisão demonstra uma falta de compreensão da essencialidade desses trabalhadores para toda cidade de Salvador e do estado. Os rodoviários já perderam 32 companheiros para Covid-19. Os ônibus não têm testagem [do vírus], não tem medição de temperatura. Entra todo tipo de pessoa e os trabalhadores estão expostos”, criticou o vereador.

“Eu não sei o que ela [desembargadora do TJ-BA] chama  de ‘indiscriminada’, porque toda a categoria está na linha de frente. Durante toda essa pandemia, os rodoviários não pararam suas atividades, muito pelo contrário, entregaram suas vidas para levar a população.”, disse Tiago Ferreira. “Repudio essa decisão, apesar de que vamos respeitá-la e cumpri-la. Decisão judicial se cumpre, mas na democracia temos o direito da crítica, e eu acho um absurdo essa decisão, que atenta contra uma categoria tão essencial à cidade”, completou. 

Em nota, a vereadora Maria Mariguella (PT) demonstrou preocupação com a exposição de trabalhadores rodoviários ao novo coronavírus no transporte público da capital. “Sem as devidas medidas para a proteção destes profissionais, eles se encontram expostos à Covid-19 enquanto mantêm a viabilidade de trânsito de outros tantos trabalhadores e trabalhadoras de Salvador. Estaremos acompanhando a situação de perto para que critérios de prioridade sejam tão justos quanto o critério de idade.”, afirmou a vereadora. 

“Essa decisão é esdrúxula, sem cabimento, fere completamente o acesso à saúde. Os sindicatos precisam ser respeitados, porque os sindicatos são, sim, porta-voz dos profissionais. Houve um processo de demissão em massa dos profissionais de transporte, processo de sucateamento dos veículos, além dos riscos de exposição à contaminação do vírus, exatamente pela sobrecarga dos transportes públicos. É uma decisão extremamente violenta”, opinou a vereadora Laina Crisóstomo (PSOL), do coletivo Pretas por Salvador. A Tarde

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