Rio: Viviane Araujo comemora 10 anos no Salgueiro e dispara: ‘Na Avenida me sinto poderosa

Abram alas, que a Rainha das Rainhas pede passagem. Viviane Araujo esquenta os tamborins para comemorar dez anos à frente da bateria do Salgueiro, no próximo domingo, com a elegância típica dos nobres. Mas a também intérprete da Edith de “Rock story” prefere calçar as sandálias da humildade às vésperas de pisar na Marquês de Sapucaí, palco sagrado da folia carioca, pela 22ª vez consecutiva.

— Só me sinto rainha dentro da minha casa, com o meu marido (o jogador de futebol Radamés), minha família e meus amigos. Meu palácio é a minha casa, meu reino está nas coisas simples, nas pessoas que me apoiam e estão sempre ao meu lado. Fico feliz em saber o quanto sou amada, admirada e respeitada pelas pessoas dentro e fora do mundo do samba, mas não me sinto a Rainha das Rainhas. É claro que, na Avenida, eu me sinto poderosa. É bom ouvir os homens exclamarem “Uau!” quando eu passo, mas me toca muito mais ver uma senhora chorando, emocionada diante da minha presença — conta a estrela da Vermelho e Branco da Tijuca, que levará para o Sambódromo o enredo “A divina comédia do carnaval”.

A paixão pelo carnaval e as muitas emoções envolvidas no desfile não permitem que a atriz de 41 anos pense em se aposentar do posto mais cobiçado do carnaval tão cedo.

—Tenho muito claro para mim que um dia eu vou parar, mas o carnaval nunca vai sair de mim. Não sei quando vou me despedir do posto de rainha, mas tenho certeza de que este será um momento bem triste. Só de falar nisso me dá vontade de chorar — afirma a beldade, com os olhos marejados.

Preparada para passar o bastão, Viviane não está. Mas o amor pela arte pode fazê-la reconsiderar a ideia de entregar a coroa, ainda que provisoriamente.

Viviane Araujo reina na Sapucaí há 22 anos

— Se eu precisar estar fora do Rio num período de carnaval para gravar uma novela, deixo de desfilar. Minha profissão está em primeiro lugar. Mas tentaria negociar com o Salgueiro, pedir para ir ali e depois voltar — brinca, fazendo mistério sobre a fantasia, assinada por Guilherme Alves, que usará domingo que vem: — É segredo absoluto!

Nem eventuais críticas sobre a escolha de suas fantasias abalam Viviane. No ano passado, houve reação negativa quando ela surgiu vestida de malandro à frente da bateria da Vermelho e Branco da Tijuca. No último dia 5, durante o ensaio técnico da escola de samba, a atriz arrasou caracterizada de diabinha, mas não escapou dos comentários dos que prefeririam vê-la vestida de anjinha.

— Não vejo nada demais em estar vestida assim. É só uma fantasia de carnaval! Nunca desfilei incorporada, como já chegaram a falar. Nada vai me trazer carga negativa, simplesmente porque não quero isso para mim. Isso aí não me pega. Tenho a minha crença e sempre peço proteção — conta a também rainha de bateria da Mancha Verde, de São Paulo, complementando: — Sou católica, mas acredito muito nos orixás e gosto da umbanda. Extra