Relatório dos EUA destaca avanços no combate ao terrorismo e cita o Brasil

Chegam ao aeroporto da capital federal os suspeitos de planejar ataque terrorista durante os Jogos Olímpicos Rio 2016 (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Embora não tenha sido alvo de ataques terroristas, Brasil marcou presença em conferências sobre o tema e melhorou combate ao financiamento do terror.

O governo dos EUA, através do Departamento de Estado, publicou na última semana seu relatório anual de combate ao terrorismo, referente ao ano de 2020. Embora reconheça que “grupos terroristas permanecem como uma ameaça persistente e generalizada em todo o mundo”, o documento destaca os avanços no combate à ameaça extremista, com consideráveis perdas registradas pelas duas principais organizações, Estado Islâmico (EI) e Al-Qaeda. E também cita o Brasil, indicando que a região da tríplice fronteira com Argentina e Paraguai adquiriu papel importante na rede de financiamento do Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã e classificado como terrorista por Washington.

De acordo com o relatório, o Hezbollah “continuou sua longa história de atividades no Hemisfério Ocidental, incluindo a arrecadação de fundos por seus apoiadores e financiadores na região, como na área da Tríplice Fronteira, onde se encontram as fronteiras de Argentina, Brasil e Paraguai”. É citado, inclusive, que o Brasil prendeu um financista do Hezbollah em 2018 e o extraditou para o Paraguai. Entretanto, não há registro de outros membros do grupo vivendo atualmente em solo brasileiro, apenas nos vizinhos Peru, Chile e Colômbia.

O documento destaca, ainda, os avanços do Brasil no combate ao financiamento do terrorismo e à lavagem de dinheiro, conforme dados da FATF (Força-Tarefa de Ação Financeira, na sigla em inglês), órgão intergovernamental que analisa essas questões. A avaliação anterior, de 2010, identificou deficiências do país na mitigação do problema, e muitas delas foram solucionadas com vistas à avaliação seguinte, de 2021, que ainda não foi divulgada.

A participação do Brasil em conferências sobre terrorismo também fica registrada no material. “O Congresso Brasileiro e vários órgãos governamentais, incluindo Polícia Federal e Ministério das Relações Exteriores do Brasil, organizaram ou participaram de conferências sobre terrorismo internacional, com ênfase no combate à ‘radicalização online e prevenção do uso da internet para fins terroristas’”, diz o documento.

No que tange a ataques terroristas em geral, a América do Sul é pouco citada. Há registros de ações na Colômbia, pelas FARC, no Paraguai, pelo Exército do Povo Paraguaio, e na Venezuela, por dissidentes das FARC, sendo todos esses grupos guerrilhas armadas classificadas pelos EUA como organizações terroristas.

Terrorismo islâmico

Com destaque, o relatório do Departamento de Estado cita o avanço no combate global aos principais grupos extremistas islâmicos. “Embora o EI tenha perdido todo o território que conquistou no Iraque e na Síria, a organização e suas filiais continuaram a montar uma campanha de terrorismo mundial, realizando ataques mortais em todo o mundo”, diz o texto. “Ilustrando a evolução da ameaça, os afiliados do EI fora do Iraque e da Síria causaram mais mortes durante 2020 do que em qualquer ano anterior”.

O que o EI fez foi descentralizar suas ações, recrutando seguidores longe de seus dois antigos redutos. No Sul e no Sudeste da Ásia, o grupo “radicalizou indivíduos para a violência, inspirando-os a realizar ataques”. E na África, que foi onde mais se fortaleceu, grupos afiliados ao EI “aumentaram o volume e a letalidade de seus ataques”, com quase 5 mil mortes atribuídas a eles em 2020, contra 2,7 mil em 2017.

Quanto à Al-Qaeda, o documento destaca a perda significativa de liderança, com a eliminação de Abdelmalek. Droukdel, o emir do grupo no Magreb Islâmico, e o número dois da facção, Abu Muhammad al-Masri. Assim como o EI, a Al-Qaeda passou a recrutar seguidores em zonas de conflito, através de grupos afilados como o Al-Shabaab e o Jama’at Nasr al-Islam wal Muslimin (grupo de Apoio ao Islã e aos Muçulmanos, em tradução literal).

De acordo com o relatório, a pandemia global de Covid-19 “complicou o cenário terrorista, criando desafios e oportunidades para grupos terroristas. Enquanto a pandemia interrompia viagens, financiamento e operações terroristas, grupos terroristas adaptaram suas abordagens e apelos, usando a Internet para continuar radicalizando outras pessoas à violência e inspirando ataques em todo o mundo”.

A desinformação também fez parte dos planos dos grupos extremistas durante a pandemia. O EI explorou a crise para “reforçar narrativas extremistas violentas, proclamando aos seguidores que o vírus era ‘a ira de Deus sobre o Ocidente’. Já o Al-Shabaab conseguiu levantar e administrar recursos substanciais durante a pandemia, usando a internet para “exacerbar as queixas relacionadas à Covid-19 e minar a confiança no governo da Somália”. A Referência

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