Quem dá mais? Disputa por passageiros reduz preço do transporte

Novo aplicativo para taxistas será lançado na semana que vem com descontos e rastreamento.

Não são apenas os passageiros que andam procurando uma alternativa para se deslocar em Salvador pagando menos. Os taxistas, que há um ano enfrentam a concorrência do Uber, já correm atrás do prejuízo. A competição por quem oferece mais vantagens ao cliente tem deixado o passageiro em vantagem: os preços mais baixos do Uber são desafiados por descontos de até 30% a qualquer hora do dia.

A partir da primeira semana de abril, os seis apps de táxis que já operam em Salvador, além do Uber, ganham mais um concorrente. O primeiro aplicativo a se enquadrar nas regras da Portaria Municipal 138/2016, que regulamenta apps com vantagens semelhantes ao compartilhamento de caronas do Uber, entra em operação na capital. O Ontaxi, que será lançado na próxima quarta-feira, entra em operação no dia 3 de abril.

O aplicativo foi desenvolvido por uma empresa baiana, mas a iniciativa foi da Associação Metropolitana de Táxis de Salvador (AMT). Entre as vantagens do  app está a possibilidade de que uma terceira pessoa rastreia a corrida via computador, além de um contador – uma espécie de taxímetro – no celular do próprio passageiro (veja ao lado).

Na fila, desta vez para meados de abril, vem mais um app: o Táxi Free é desenvolvido por uma empresa de Curitiba em parceria com o Sindicato dos Taxistas de Salvador (Sinditaxi). Nas corridas, que podem ser compartilhadas com até três pessoas, o desconto pode chegar a 66%.

A plataforma já tem 500 taxistas cadastrados. A presidente da instituição, Roseli Abreu, explica que é mais uma alternativa para que o taxista possa enfrentar a concorrência. “É algo que já acontecia antes, de as pessoas dividirem o valor da corrida”, fala.

“Essa portaria permitiu que vários aplicativos estejam procurando a prefeitura de Salvador para poder trabalhar com os táxis. Com esses aplicativos que estão chegando especialmente para táxi, ficamos no mesmo nível que outros que funcionam em outra modalidade”, explica o secretário de Mobilidade Urbana de Salvador, Fábio Mota.

Laudelino Lima, 59, já aderiu ao novo app – (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Primeiro da fila
O taxista Laudelino Lima, 59 anos, foi um dos primeiros a se cadastrar no aplicativo Ontaxi. Depois que o Uber chegou ao mercado de transporte de Salvador, em abril passado, ele viu o número de corridas que fazia cair vertiginosamente: “A minha renda caiu em torno de 30% a 40%. Fazia uma média de 15 corridas boas por dia. Agora, às vezes, faço cinco ou seis no total. O número de clientes caiu demais”.

Agora, ele é só sorrisos e vê no aplicativo uma esperança de novos tempos. “O pessoal está apostando muito nesse aplicativo. Com certeza, ele vai aumentar nossos clientes, porque tem corrida compartilhada, são seis tipos de corridas diferentes. Vai ser bem melhor que o Uber”, anuncia.

A enfermeira Gal Moreira, 30, já aderiu ao Uber, mas tem voltado a usar táxis nos últimos meses. É que, com um desconto de 30%, cada trecho feito diariamente para o trabalho sai a cerca de R$ 1 mais barato. “É como se, a cada semana, eu ganhasse uma corrida de graça”, pontua.

O aplicativo vai oferecer serviços de táxi comum e especial.  “Estamos entusiasmados porque temos que nos apegar à questão da tecnologia. Ela é muito importante porque facilita tanto a vida do usuário quanto a vida do passageiro”, diz Laudelino.

Diferenças
De acordo com o secretário Fábio Mota, a Portaria 138/2016 – que regulamenta novos aplicativos – permitiu uma série de inovações relativas ao serviço de táxi, como o uso de tarifa dinâmica, corrida compartilhada e contador eletrônico, disponível no celular do usuário.

A diferença para aplicativos como o Uber, por exemplo, é que o valor da tarifa não pode ser maior do que o cobrado na Bandeira 2 no táxi comum.

Outra diferença é que os dados gerados pelos aplicativos serão compartilhados com a Secretaria da Mobilidade de Salvador (Semob), permitindo que a pasta equilibre o fluxo de táxis. Por exemplo, se alguma área estiver com demanda alta, mais veículos podem ser direcionados para esse ponto.

“Esses serviços novos  estão oxigenando o mercado. Estão criando novas opções para quem pega táxi na cidade. Se o usuário clamava por uma melhoria da tecnologia para pegar o táxi, agora estamos com os mesmos serviços disponíveis”, ressalta Mota.

Segurança
O presidente da AMT, Valdeilson Miguel, acredita que a plataforma será uma grande aliada para enfrentar a concorrência do Uber – e, assim, chamar a atenção do passageiro. “A questão é o desconto e isso nós também vamos oferecer. Fora que nós somos profissionais, fiscalizados pela prefeitura, nossos carros são novos”, diz.

A produtora cultural Fernanda Souza, 25, continua usando táxi por causa dos descontos. “Uso táxi, mas especificamente o aplicativo 99, por causa das promoções e segurança que tem oferecido. Os preços são mais vantajosos do que tem acontecido no Uber, devido aos preços dinâmicos. Outra questão é que os motoristas desse aplicativo acabam sendo mais profissionais e isso me deixa mais segura”, diz. Correio