Pesquisa revela consequências da guerra da Síria na juventude do país

O conflito, que completa 10 anos, já deixou milhares de mortos.

15 de março de 2011. Há exatamente 10 anos teve início uma das guerras mais devastadoras da atualidade, a guerra da Síria, que já deixou centenas de milhares de mortos, dezenas de milhares de desaparecidos e milhões de desabrigados.

Na tentativa de mostrar ao mundo o impacto dessa guerra, o Comitê da Cruz Vermelha Internacional fez uma pesquisa com 1.400 sírios de 18 a 25 anos que vivem no Líbano, na Alemanha e na própria Síria. O objetivo do levantamento é conhecer as consequências do conflito para a juventude do país.

Com fotos de vilas e ruas totalmente destruídas, e relatos em primeira pessoa sobre o sofrimento da guerra, o relatório da Cruz Vermelha reforça o custo humano do conflito.

A pesquisa mostra que 47% dos jovens entrevistados perderam um familiar próximo ou amigo morto no conflito. 62% precisaram fugir de casa e 57% perderam anos de escolaridade ou mesmo abandonaram os estudos.

A jovem síria de 17 anos, Sarah Abonabot veio para o Brasil com o pai quando tinha 10 anos. Ela conta que a família teve uma loja de roupas destruída pelo conflito, o que os levou a sair do país.

O conflito da Síria começou com uma série de protestos contra o governo, na onda das revoltas que abalaram a região, conhecidas como Primavera Árabe. O professor de Relações Internacionais e Economia do Ibmec, Alexandre Pires, explica que a Síria concentra tanto um conflito regional como também é o palco de um conflito maior, envolvendo as potências mundiais.

Os 10 anos de guerra na Síria revela, segundo o especialista, que as principais economias do planeta não foram capazes de resolver suas diferenças pela negociação.

A pesquisa da Cruz Vermelha mostra ainda que a juventude Síria que viveu o conflito durante a infância ou adolescência tem dificuldade para sobreviver. 3 em cada 4 jovens entrevistados que ainda vivem no país dizem lutar para atender apenas às necessidades básicas. No Líbano, mais de 2/3 desses jovens não têm fontes de renda.

Apesar das dificuldades, 70% revelam que se consideram otimistas quanto ao futuro e a mesma proporção tem nos amigos a grande fonte de felicidade. Agência Brasil