Pentágono pode ter escondido navio com nome de rival de Trump do presidente

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O Pentágono negou o conteúdo de uma reportagem do “Wall Street Journal” que diz que a Casa Branca pediu, por ocasião da recente visita de Donald Trump ao Japão, que um navio americano batizado com o nome do falecido senador John McCain, rival do presidente dos Estados Unidos, fosse mantido fora de vista.

“Jamais autorizei nem aprovei nenhuma ação ou movimento de qualquer tipo em referência a este navio”, afirmou o secretário interino de Defesa, Patrick Shanahan, que está na Ásia.

Shanahan ainda elogiou o senador: “Além disso, jamais teria desonrado a memória de um grande patriota como John McCain”.

Texto de jornal tem como fonte um e-mail de um comandante militar

O “Wall Street Journal” informou que o nome do destroier lança-mísseis “USS McCain”, danificado em uma colisão em 2017, foi ocultado temporariamente após um pedido da Casa Branca.

“O ‘USS John McCain’ precisa ficar fora da vista”, afirmou o e-mail de um comandante militar americano, ao qual o jornal teve acesso, antes da viagem presidencial.

Em reparos na base americana de Yokosuka, onde Trump pronunciou um discurso na terça-feira (28) a bordo de outra embarcação, o navio em questão estava em uma posição de difícil deslocamento.

O nome foi então escondido por uma lona, e os marinheiros, liberados por um dia, informa o “Wall Street Journal”, que cita fontes que acompanharam o caso.

A lona foi retirada por uma razão desconhecida, e uma embarcação foi deslocada para bloquear a visão do navio.

“Todos os navios conservaram sua posição habitual durante a visita do presidente”, afirmou à AFP um porta-voz da 7ª Frota, antes de indicar que as fotografias que mostram a lona foram feitas antes da chegada de Donald Trump.

“Não fui informado de nada que tenha a ver com o navio da Marinha ‘USS John S McCain’ durante minha recente visita ao Japão”, reagiu o presidente no Twitter na quarta-feira (29) à noite.

Shanahan, acusado pelo “Wall Street Journal”, afirmou em um primeiro momento, por meio de um porta-voz, que “não estava a par da ordem de deslocar o ‘USS John S. McCain’, nem das razões que motivaram a ordem”.

Questionado em Jacarta durante um encontro com a imprensa, ele negou que estivesse a par. “É a primeira vez que ouço falar sobre isto. Tenho que me informar um pouco más”, disse.

Ele retornou ao tema depois de deixar Jacarta e afirmou que “nunca teria faltado com o respeito aos homens e mulheres da tripulação deste navio”.

O secretário disse que ordenou a seu chefe de gabinete uma investigação sobre o caso. “Os militares devem fazer seu trabalho e seu trabalho é não interferir na política”, completou.

McCain e Trump tinham desprezo um pelo outro

Donald Trump e John McCain nunca esconderam o desprezo mútuo. O milionário, isento do serviço militar, ironizou em 2015 o status de herói da guerra do Vietnã do falecido senador, que foi prisioneiro e torturado durante cinco anos.

Figura respeitada da política americana, McCain retirou seu apoio à candidatura de Trump na eleição presidencial de 2016.

Senador norte-americano John McCain foi vítima de tumor no cérebro — Foto: J. Scott Applewhite/AP

Senador norte-americano John McCain foi vítima de tumor no cérebro — Foto: J. Scott Applewhite/AP

McCain faleceu, vítima de câncer cerebral, em 25 de agosto de 2018 aos 81 anos. Ele fez questão de anunciar que não desejava a presença de Trump em seu funeral.

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