Hospital realiza desejos de pacientes terminais e em longo período de internação

Depois de dois meses na unidade intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Salvador (HMS), Geovana Ramos, de 15 anos, pode finalmente apreciar o pôr do sol outra vez, mesmo ainda estando em tratamento. A experiência só foi possível graças ao "Passeios que curam". A ação faz parte do projeto da unidade de saúde, que leva pacientes em cuidados paliativos ou em longo período de internação para realizar seus desejos.

No mês de maio, a jovem foi levada pela equipe multidisciplinar do hospital para ver o pôr do sol no heliponto do centro de saúde. Acompanhada da mãe, Geovana aproveitou o passeio e emocionou a todos que estavam no local.

"Foi uma experiência incrível para a minha filha. Passamos por uma batalha tão grande até descobrir o diagnóstico dela, que quando chegamos no heliponto foi uma animação só. Mesmo que por um curto período de tempo, foi muito positivo para ela. Uma semana depois Geovana saiu da UTI e foi para a enfermaria", detalha Vanderleia dos Santos Ramos, 36, mãe da paciente.

Geovana foi diagnosticada com encefalite autoimune, uma doença rara e sem cura em que os próprios anticorpos atacam o corpo e o cérebro do paciente. Até a confirmação do quadro, a jovem sofreu diversas convulsões, perda de memória, capacidade de fala e de se alimentar sozinha. Sequelas que ainda carrega. Desde a experiência na ação “Passeios que curam'', foram mais dois meses de tratamento, até o dia da alta, na última terça-feira (05).

“A assistência que recebemos do hospital foi muito importante para que este dia chegasse. Minha filha entrou lá entre a vida e a morte, mas o doutor José Mário e sua equipe não descansaram um minuto. Depois de muitos exames sem resultados, as amostras de Geovana foram enviadas para a Fiocruz. Junto a isso, o passeio significa um cuidado além do técnico”, conta Vanderleia.

De acordo com o gerente médico do HMS, José Mário Meira Teles, a ação “Passeios que Curam” é inspirada no “Projeto Três Desejos”, criado em 2013, na cidade de Hamilton, no Canadá, pela médica canadense Deborah Cook. A iniciativa é uma maneira de garantir um acompanhamento mais humanizado para os pacientes.

Para o paciente é a oportunidade que ele tem de sair desse ambiente fechado da UTI e sentir a natureza, ver o céu e o pôr do sol. É algo que faz diferença no tratamento, não apenas para a pessoa que está sendo tratada, mas para a equipe também. E a própria família agradece", destaca o gerente médico.

Ontem (06), foi a vez de Sônia Sousa, de 74 anos, também viver essa experiência. Ela foi internada para uma operação contra um câncer no estômago. O heliponto foi o primeiro passeio que fez após a cirurgia. Ao chegar na plataforma, seus olhos brilharam com a visão panorâmica de parte da cidade. Mesmo deitada em uma maca, manteve o pescoço elevado para não perder nenhum centímetro da paisagem. “Que lindo”, foi a única coisa que Sônia conseguiu dizer.

Além de Sônia, outros 15 pacientes já foram atendidos pelas ações humanitárias do HMS (Foto: Paula Próes/ CORREIO)

Além de sentir o vento e os raios do entardecer no rosto, seus olhos puderam apreciar as águas de um lago, no centro de uma pequena mata fechada. Mais ao fundo era possível ver um pedaço do mar. Por causa da quantidade de nuvens no céu, o pôr do Sol não apareceu, mas o resto da paisagem e a felicidade de Sônia, por estar do lado de fora, encantou a equipe que a acompanhou até o local.

“Todo mundo que vê isso, sente o quanto é importante fazer e faz com amor. Eu acho pouco comum no Brasil. Essas coisas tocam. Ficamos tão voltados para curar apenas a doença, oferecendo uma assistência de qualidade, que não percebemos que essas são ações que podem nos diferenciar”, aponta José Mário.

Ao menos 15 pacientes já foram atendidos pelas ações humanitárias do hospital nos últimos dois meses, quando o número começou a ser registrado. Além do “Passeios que curam”, a unidade hospitalar ainda oferece o “Três Desejos”, para atender os últimos anseios de pacientes terminais, que já vem sendo implementado é oferecido há um ano.

Outro iniciativa é o chamado “Dia do Desejo", promovida pela equipe do serviço de nutrição do hospital, que prepara um prato especial, escolhido por cada paciente, para realizar a vontade de comer a comida preferida deles.

*Com orientação da subchefe de reportagem Monique Lôbo

Fonte: Correio 24hs

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