Guedes considera “natural” saída de secretários da Economia

Garantido no cargo pelo presidente Jair Bolsonaro em meio a rumores de demissão, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta sexta-feira, 22, que a PEC dos Precatórios dará o “espaço fiscal” para o Auxílio Brasil no valor de R$ 400, ao pedir o apoio do Congresso para a aprovação do texto. A matéria foi aprovada na quinta, 21, por comissão especial da Câmara dos Deputados.

Em entrevista coletiva ao lado do presidente, Guedes classificou como “natural” a saída de quatro secretários da pasta, que pediram demissão após a manobra comandada pelo centrão para furar o teto de gastos.

O ministro oficializou ainda a nomeação de Esteves Colnago, ministro do Planejamento no governo Temer, no lugar de Bruno Funchal, que deixou a Secretaria de Tesouro e Orçamento.

Além de Funchal, deixaram o governo o secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt; a secretária-especial-adjunta de Tesouro e Orçamento, Gildenora Dantas; e o secretário-adjunto do Tesouro Nacional, Rafael Araujo.

Segundo Guedes, houve um embate entre a ala econômica – que queria um auxílio de R$ 300, dentro do teto – e a ala “política”, que desejava valores maiores até do que os R$ 400 anunciados pelo Planalto.

“Essa era a grande discussão e isso ‘virou’, por um colapso de comunicação nosso, e uma falta de tolerância conosco. O teto é um símbolo de compromisso, mas não vamos deixar milhões passarem fome”, declarou o titular da Economia.

“Qualquer notícia tem informação, sinal e barulho. Tivemos muito barulho. Quero dar um importante esclarecimento: tínhamos o plano de fazer um Bolsa Família em torno de R$ 300 e, ao mesmo tempo, um Imposto de Renda que daria a fonte [dos recursos]. De repente, chegou um meteoro e outro Poder pediu para pagar muito mais do que estava previsto. Vamos inviabilizar os programas sociais? Não”, disse Guedes, ao comentar a iniciativa do Congresso para ampliar o valor do benefício.

“Como não há uma fonte permanente, já que o Imposto de Renda não andou, o governo não podia ficar parado. Como a solução tecnicamente correta não funcionou e a situação dos mais frágeis piorou, nós vamos ter que gastar um pouco mais. E começamos a construir isso juntos”, acrescentou o ministro, sobre a PEC dos Precatórios ser anunciada como a solução para o pagamento do auxílio.

Relator da PEC dos Precatórios, o deputado Hugo Motta propôs mudar a regra de correção do teto de gastos. Atualmente, a fórmula considera o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado entre julho de um ano e junho do ano seguinte. O novo cálculo seria feito de janeiro a dezembro, com valores retroativos a 2016.

Com isso, o governo prevê um espaço fiscal de R$ 83 bilhões a mais para gastar em 2022, ano em que Bolsonaro tentará a reeleição.

Na entrevista, Bolsonaro reafirmou a intenção de pagar um auxílio, também no valor de R$ 400 mensais, a caminhoneiros autônomos e negou a possibilidade de congelamento do preço dos combustíveis, o que traria “consequências piores”. De acordo com o presidente, o gasto com a categoria será de aproximadamente R$ 4 bilhões por ano. Ele não detalhou, porém, a origem de tais recursos, limitando-se a dizer que o montante está “previsto no Orçamento”.

O presidente agradeceu ao Congresso “por fazer com que as reformas caminhem” e tentou minimizar a crise na Economia, ao dizer que não fará “nenhuma aventura”. “Não existe descompromisso da nossa parte”, acrescentou. Bolsonaro afirmou ainda ter “confiança absoluta” em Guedes, cujo pedido de demissão foi especulado horas antes da coletiva.

Após a demonstração de apoio de Bolsonaro a Guedes, o dólar recuou e a Bolsa de Valores reduziu as perdas. Em meio às especulações de demissão do ministro, a Bolsa chegou a cair 4,53% no começo da tarde desta sexta-feira, 22, alcançando 102.853 pontos. Depois da entrevista, porém, a Bolsa fechou o dia com queda de 1,34%, a 106.399 pontos. 

Durante a fala de Guedes, a Bolsa chegou a subir 0,01%, oscilando positivamente pela primeira vez no pregão, atingindo 107.749 pontos.

Com recuo de 0,74%, o dólar fechou a R$ 5,6250. Mais cedo, a moeda americana tinha alcançado a máxima de R$ 5,7550, alta de 1,55% – o maior valor desde o fechamento de 30 de março (R$ 5,7580). A Tarde

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