Fundação que recebia R$605 mil por mês do Detran Bahia tinha apenas dois funcionários

A fundação que recebia R$605 mil por mês do Detran Bahia tinha apenas dois funcionários. A revelação foi feita nesta quarta-feira (24/02), durante coletiva online, pela delegada Fernanda Ásfora, responsável pela Operação Mão Dupla, que investiga um “esquema criminoso” que desviou pelo menos R$19 milhões do órgão. Conforme Ásfora, houve a “contratação de fachada” de uma fundação, que “não tinha nenhuma condição de executar o contrato”.

Equipes da Coordenação Especializada de Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil da Bahia (Ceccor-LD) cumpriram pela manhã mandados de busca e apreensão em algumas empresas sediadas no Centro Empresarial Iguatemi, em uma entidade de direito privado no Comércio e em alguns endereços de pessoas físicas.

A Operação Mão Dupla investiga fraudes ligadas ao Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran-BA). Na sede do órgão, foram apreendidos documentos relativos à contratação investigada e um computador. No endereço de dois alvos, em Jardim Armação e Stiep, foi apreendida a quantia de R$ 79,5 mil, entre dinheiro em espécie e cheques, além de 2,5 mil dólares – o equivalente a R$ 13,5 mil, no câmbio desta quarta.

Nos demais endereços, foram apreendidos notebooks, smartphones, um HD externo, mídias digitais, documentos e R$ 75 mil em cheques. A Operação Mão Dupla é consequência de um inquérito que apura fraudes entre o Detran – por meio da Escola Pública de Trânsito – e uma fundação de direito privado de Salvador. A apuração da Polícia Civil revelou também a participação de ex-dirigentes do Detran-BA e de outros agentes públicos ligados ao órgão, além de indícios de lavagem de dinheiro.

“Com essas ações, conseguimos desarticular um esquema que causou prejuízo de R$ 19 milhões aos cofres públicos do Estado”, declarou a delegada Fernanda Ásfora, que coordenou as ações, referindo-se às ilegalidades no processo licitatório e na execução do trabalho. O contrato foi iniciado em 2016 e durou até 2019.

José Bezerra, diretor do Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco), explicou que todo o material apreendido será analisado pelas equipes de investigadores. “Parte será enviado para o Departamento de Polícia Técnica (DPT), para que no final seja possível determinar se há ou não alguma prática delituosa”, concluiu. Informe baiano

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