Chikungunya pode causar doença vascular crônica, revela estudo

A dona de casa Edinilza Marques da Silva, de 38 anos, não escapou do surto de chikungunya que se instalou em Recife em outubro do ano passado. Foram cerca de oito dias calejados pelos sintomas da doença: febre, dor intensa, fraqueza que a impedia de ficar em pé. Quinze dias depois, ela precisou voltar ao posto de saúde. As pernas estavam inchadas e roxas na altura dos tornozelos. A dor a impedia de caminhar.

Edinilza foi uma das pessoas atendidas no Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, que acaba de divulgar o resultado de uma pesquisa mostrando pela primeira vez que a chikungunya pode provocar doenças vasculares crônicas, como linfedemas (acúmulo de líquido devido ao bloqueio do sistema linfático). Em alguns casos, irreversíveis.

– Os resultados mostraram que 50% dos pacientes acompanhados ainda continuam com inchaço nas pernas na fase crônica da doença, ou seja, com três meses ou mais após os sintomas agudos da chikungunya. Alguns estão com esse quadro há mais de um ano. Ainda não sabemos a porcentagem de pacientes que vão evoluir para linfoedemas na população em geral. O mais importante desse estudo é alertar os médicos para essa evolução da chikungunya, para que possam diagnosticar e atuar mais rapidamente e, dessa forma, evitar complicações – disse a cirurgiã vascular Catarina Almeida, de 35 anos, que apresentou na última quarta-feira sua pesquisa à banca de mestrado no Departamento de Cirurgia Vascular da UFPE. Extra