Assaltos e arrastões aumentam entre bares do circuito ‘Imbuí, Stiep e Pituba’ em Salvador

Diante do cenário, Abrasel-BA afirmou que tem cobrado do estado “ações mais enérgicas” para garantir segurança nos estabelecimentos da cidade.

O que era para ser um momento de lazer e descontração se tornou de angústia e medo. Uma expressiva incidência recente de arrastões e assaltos tem ocorrido em bares e restaurantes de Salvador.

Em fevereiro deste ano, homens armados roubaram o celular de uma funcionária enquanto ela trabalhava em um bar no Imbuí. Dias antes, um homem sacou uma arma e ameaçou clientes no bar ‘Parada Obrigatória’, no Stiep. No mês seguinte, clientes foram surpreendidos por bandidos que invadiram o restaurante ‘Porto Brasil’, na Pituba. Eles tiveram seus pertences roubados.

Somente neste mês, criminosos assaltaram, no mesmo dia, o ‘Boteco do Caranguejo’ do Imbuí e do Itaigara. Um suspeito armado também entrou no restaurante ‘Isla’, no Rio Vermelho, assaltando clientes em uma mesa. No mesmo dia, dois homens assaltavam e ameaçaram com uma faca clientes do ‘Di Lucca’, na Pituba.

“Não me sinto mais seguro”, confessou um homem que passou por uma destas situações. Em julho do ano passado, ele foi baleado durante um arrastão no ‘Bar do Sonic’, no Stiep. Hoje, o trauma mantém-se e ele diz que “evita ao máximo” frequentar bares de rua na cidade. Pelo trauma vivido, preferiu se manter anônimo.

“Dois carros pararam em frente ao bar e saiu todo mundo armado. Eram entre seis e oito pessoas. Saíram derrubando tudo. Fui assaltado, dei minha carteira, celular… Continuaram roubando as outras mesas, mas uma tinha policiais, que reagiram. Teve troca de tiros e eu me joguei no chão. Neste momento, mesmo eu já tendo entregue tudo, um dos ladrões passou por mim e me deu um tiro. Eu estava no chão, vulnerável e entregue”, relatou.

Coberta de sangue, a vítima foi socorrida ao hospital pelo seu primo. Por sorte e alguns centímetros, a bala não perfurou nenhum dos órgãos. “A bala não ficou alojada. Entrou nas costas e atravessou, saindo debaixo do braço. Por milagre, não pegou o pulmão”, lembra.

Abalo semelhante acompanha o estudante de direito, Mateus Dourado, 24. Em 2017, ele foi ameaçado com uma arma por um homem, motivado por ciúmes, dentro de um bar que hoje dá lugar ao ‘Parada Obrigatória’, no Stiep.

O antigo dono se recusou a disponibilizar as filmagens, o que fez com que o caso não fosse para frente. No início deste ano, no mesmo local, ele se livrou, por pouco, de passar pelo mesmo terror

“Nesse dia, fui embora cerca de uma hora mais cedo. Dessa vez, felizmente, eu não estava no lugar errado, na hora errada. Mas essa região tem sido cada vez mais alvo desse tipo de situação, com bandidos ou pessoas que têm porte de arma. Em situações mais complicadas, essas ameaças acabam virando atrocidades, tragédias. Tenho frequentado cada vez menos estes lugares, sempre com um pé atrás, um pouco de receio, não quero passar por isso de novo”, revelou Dourado.

Já Leonardo Araújo, 24, também estudante de direito, não teve a mesma sorte. No dia 13 de fevereiro deste ano, ele estava presente no mesmo bar no momento em que um homem, durante uma briga, sacou uma arma e ameaçou atirar.

“Estava rolando um samba e eu estava com um tio, dançando, tranquilo. Do nada, começou uma discussão, um empurra empurra, mas separaram. Depois, a discussão voltou, mais elevada, uma briga mesmo. Como eu já tinha bebido algumas, falei para o cara: ‘ah não, vai embora’. Aí ele levantou a camisa e colocou a mão na arma, que estava na cintura dele. Saí correndo e não vi mais nada”.

Espantado com a situação, Araújo não retornou mais ao estabelecimento, apesar de ainda frequentar outros lugares nas proximidades. “Agora fico sempre em estado de alerta. Tem muita gente armada bebendo muito, pode ocorrer qualquer coisa”, declarou.

COBRANÇAS

O presidente do Conselho Administrativo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes na Bahia (Abrasel-BA), Leandro Menezes, afirmou que o assunto tem sido amplamente discutido internamente e ressaltou a preocupação com o crescimento de casos violentos dentro dos estabelecimentos de Salvador. “Passamos por muitos problemas durante a pandemia, ainda estamos arcando com as consequências, e ainda temos que passar por ações que colocam as nossas vidas em risco, as dos funcionários e também dos clientes”, lamenta.

Menezes destaca que a Abrasel tem cobrado do poder executivo estadual “ações mais enérgicas para tentar resolver o problema, pelo menos de forma pontual”.

A reportagem procurou a administração do bar ‘Parada Obrigatória’ para se pronunciar sobre os constantes casos de violência que estão acontecendo. Os proprietários, no entanto, não foram localizados. Palco de dois dos últimos marcantes arrastões deste ano, o ‘Boteco do Caranguejo’ não quis se pronunciar sobre os acontecimentos. A assessoria justificou que o assunto é sensível para a gestão dos locais, pois gerou um desgaste muito grande e uma perda significativa do fluxo de caixa.

Em relação aos casos, a Polícia Militar ressaltou que “atua preventivamente no patrulhamento em vias públicas ou através de acionamento”. “O policiamento é realizado mediante o emprego de viaturas que realizam rondas diuturnamente”, explica a nota.

A polícia também ressaltou que estas ações resultaram na prisão dos suspeitos dos arrastões no Boteco do Caranguejo, apontados como responsáveis pelos “assaltos constantes nos bares e restaurantes da capital baiana”.

Já a Polícia Civil informou que “os casos estão sendo apurados pelas respectivas unidades nas quais foram registrados”. Metro1

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