Após tensão com a China, marinha filipina entrega suprimento de comida a soldados

Navio da Marinha das Filipinas, em outubro de 2019 (Foto: Flickr)

Entrega ocorreu após garantias do embaixador da China em Manila, Na semana anterior, a guarda costeira chinesa atacou os barcos das Filipinas.

A marinha das Filipinas finalmente conseguiu, na terça-feira (23), entregar o suprimento de comida aos soldados estacionados no atol de Ayungin Shoal, no Mar da China Meridional. Na semana passada, barcos de reabastecimento haviam sido bloqueados por patrulhas da guarda costeira chinesa, que também usaram jatos de água para repelir as embarcações filipinas. As informações são da agência Associated Press.

De acordo com o secretário de Defesa Delfin Lorenzana, as entregas foram feitas por dois barcos de madeira que conseguiram chegar ao atol sem maiores problemas. Entretanto, quando a entrega dos suprimentos já estava em andamento, um bote com três membros da guarda costeira chinesa foi visto fotografando a entrega. “Comuniquei ao embaixador chinês que consideramos esses atos uma forma de intimidação e assédio”, disse Lorenzana.

O secretário afirmou que a entrega ocorreu após garantias do embaixador da China em Manila de que o incidente da semana anterior não se repetiria. Assim, não foi necessária escolta armada da marinha filipina, embora um avião da força aérea local tenha sobrevoado a região durante o processo de entrega dos suprimentos.

O atol fica dentro Zona Econômica Exclusiva (ZEE) das Filipinas, que se estende a até 200 milhas náuticas da costa. A região, entretanto, é palco de reivindicações territoriais por parte da China e de outras nações, o que leva a constantes conflitos diplomáticos. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, alegou que a guarda costeira atuou em defesa da soberania nacional após os navios filipinos entrarem em águas chinesas sem permissão.

Mudança de tom

Um dia antes da entrega dos suprimentos, o presidente filipino Rodrigo Duterte havia adotado um discurso duro contra a China devido ao ataque da semana anterior. Habitualmente ameno ao falar sobre o vizinho, ele mudou o tom e fez coro com a União Europeia (UE) e com os Estados Unidos, que também criticaram a ação da guarda costeira chinesa.

“Abominamos o recente evento em Ayungin Shoal e vemos com grande preocupação outros acontecimentos semelhantes”, disse Duterte durante uma cúpula de líderes asiático. “Isso não fala bem das relações entre nossas nações e nossa parceria”.

Antes, a UE já havia repudiado o episódio e “quaisquer ações unilaterais que ponham em risco a paz, a segurança e a estabilidade na região e a ordem baseada nas regras internacionais”. Washington, por sua vez, chamou a ofensiva de “perigosa, provocativa e injustificada”. E ressaltou que um ação hostil da China levaria a uma reação militar norte-americana, com base em um compromisso de defesa mútuo firmado com Manila. A Referência

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