Santos quer investigar abuso sexual em parceria com Vara da Infância

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A ideia é ter um especialista, que não seja funcionário do clube, para investigar

Em reunião do Comitê de Gestão na próxima segunda (23), o Santos vai discutir a sindicância interna para investigar o caso em que o jogador Ruan Petrick Aguiar de Carvalho, 19, acusa o afastado coordenado das categorias de base, Ricardo Marco Criveli, o Lica, de abuso sexual.

A ideia é ter um especialista, que não seja funcionário do clube, para investigar a história e verificar se outros casos podem ter ocorrido, não necessariamente ligados a Crivelli. O clube também planeja uma parceria com a Vara da Infância e da Juventude da cidade para acompanhar os garotos das categorias de base.

As informações foram confirmadas à reportagem por dois integrantes do Comitê de Gestão.

Procurada, a assessoria de imprensa do clube disse que o presidente José Carlos Peres não iria se pronunciar.

Também na próxima semana, o advogado de Ruan, Marcelo Monteiro, vai apresentar um dossiê com a denúncia do atleta.

O material será entregue ao presidente do conselho deliberativo do Santos, Marcelo Teixeira.

“Eu ouvi a história de forma verbal. É muito grave. Pedi que fosse apresentada por escrito para que possamos iniciar uma investigação”, disse Teixeira, que foi mandatário do Santos entre 1992 e 1993 e de 2000 a 2009.

“Já estou coletando o material para ser entregue. Isso vai acontecer nos próximos dias”, confirmou Monteiro, que é ex-conselheiro e sócio do clube.

Na última terça (17), a Folha de S. Paulo publicou que Ruan registrou Boletim de Ocorrência contra Crivelli por abuso sexual. A Delegacia de Repressão e Combate à Pedofilia em São Paulo abriu inquérito para investigar o caso, que agora corre em segredo de justiça. O crime teria acontecido em 2010 quando a vítima tinha 11 anos.

A ideia da diretoria do clube é passar uma imagem de iniciativa diante da denúncia, mostrar que não pretende esconder nada e evitar qualquer desgaste institucional em um momento conturbado na política interna.

Na próxima quinta-feira (26), o Santos receberá o inglês Andy Woodward, que detonou escândalo sobre abuso sexual nas categorias de base no Reino Unido. Em 2016, já adulto, ele revelou ter sido vítima de treinadores quando era criança.

Woodward dará palestra para jogadores amadores e a equipe feminina do Santos. O evento já havia sido marcado pelo Sindicato dos Atletas Profissionais antes de aparecer a acusação contra Crivelli.

No início da semana, a oposição à atual diretoria do clube protocolou um pedido de impeachment contra Peres. Ele é sócio de Crivelli na Saga Talent Sports & Marketing, empresa que faz gerenciamento de carreiras de atletas de futebol. O presidente alega que a companhia está inativa.

A reportagem apurou que o mandatário acredita na inocência do acusado. Mas Crivelli foi afastado do cargo de coordenador enquanto as investigações acontecem.

No Boletim de Ocorrência, Ruan diz ter sido abusado em uma noite em que dormia na casa de seu empresário, Luciano Pereira. Crivelli também estaria no mesmo local. Ele atuava como olheiro do clube.

O jogador afirma que em seguida foi aprovado em teste no Santos, onde ficou por 18 meses. Teria sido alvo de novas investidas do acusado, mas as recusou. Em seguida, foi dispensado.

Seu empresário, Luciano Pereira, disse à reportagem ter recebido proposta de suborno de um funcionário de uma empresa de agenciamento de jogadores, que lhe ofereceu um emprego no Santos caso desmentisse a acusação.

A assessoria de imprensa do Santos negou que qualquer pessoa ou empresa esteja autorizada a falar em nome do clube neste caso.

OUTRO LADO

O afastado coordenador das categorias de base do Santos, Ricardo Crivelli, informou que não se pronunciará sobre a acusação. Ele vai falar apenas no inquérito, quando convocado pela polícia.

Na última quarta (18), o advogado do acusado, Adriano Vanni, esteve na delegacia para conversar sobre uma possível data para que Crivelli se apresente.

“Ele nega peremptoriamente essa acusação. Ele tem todo o interesse de que a verdade seja mostrada”, afirma Vanni.

O presidente José Carlos Peres negou intenção de proteger o acusado, mas disse que não poderia comentar muito sobre o assunto por estar em segredo de justiça.

“Eu não defendi o Lica em momento algum. Chamei-o na sala, conversei de forma firme. Ele disse que era inocente e eu falei para ele ir se defender na Justiça. Fui curto e grosso. Mas não posso atacá-lo. Quando se tem apuração, se tem surpresa. Lica trabalha há mais de 20 anos sem nenhuma mancha. Fizemos uma reunião com o Comitê de Gestão e optamos pelo afastamento para que ele se defenda. O Santos vive momento político muito forte”, disse Peres.

Folhapress

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