Salvador: Ataques a bar LGBT evidenciam questão da homofobia

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Era a noite da final de um concurso promovido pelo coletivo Afrobapho.

Em plena festa, o teto do bar Caras & Bocas — na Avenida Carlos Gomes, um pedaço de agito underground frequentado pelo público LGBT no centro de Salvador — foi atingido por sacos recheados de gelo.

A munição veio do alto e causou estrago na cobertura do sobrado. Uma parte acabou no meio do salão.

Mas somente um cliente se machucou, na testa, sem gravidade. O episódio marcou a sexta vez em que o estabelecimento foi alvo do mesmo tipo de investida em menos de quatro meses.

“A primeira foi logo na noite de inauguração, em 5 de janeiro deste ano”, conta Rosy Silva, sócia no negócio da parceira Alexsandra Leitte. A cada ocorrência, o casal de proprietárias, além de mobilizar a comunidade, sempre registra queixa.

“Quando cheguei à delegacia da última vez, um agente até disse: ‘De novo aqui?’”, conta Rosy. Em Salvador, o Centro de Referência LGBT, inaugurado em março de 2016 pela Secretaria Municipal da Reparação, realizou 2.363 atendimentos desde que iniciou suas atividades: há no pacote de orientação para a mudança de nome social de transgêneros a encaminhamento jurídico de casos que envolvem violência de qualquer tipo contra seu público-alvo.

O volume de atendimentos é mais um indicativo da presença da homofobia na cidade. “É uma situação paradoxal, porque há uma aparente permissividade maior com expressões de identidade de gênero, inclusive em manifestações fora do Carnaval”, diz Leandro Colling, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e criador e coordenador do grupo de pesquisa Cultura e Sexualidade.

O ativista Genilson Coutinho, editor-chefe do site Dois Terços, especializado na temática, avalia que a dificuldade do bar em buscar providências é a regra para casos semelhantes .

“A pessoa, nesses casos, já pensa duas vezes antes de ir a uma delegacia, imaginando o que vai passar”, afirma.

“Aqui em Salvador, existe um projeto de lei na Câmara dos Vereadores para criminalizar a LGBTfobia, mas houve sete tentativas em abril de levar para votação na Comissão de Constituição e Justiça, todas paradas por manobras”, conta.

Sem leis específicas, argumentam os ativistas, as ocorrências acabam ganhando outros nomes, como vandalismo ou injúria, o que só esconde o problema e impede avanços.

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