Nadador baiano busca patrocinadores para disputar Pan no Caribe

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O jovem nadador Gustavo Sodré, natural de Camamu, conquistou o índice para disputar o Pan-Americano nas Ilhas Cayman, no Caribe. No entanto, o custo alto fez os pais Thiago Sodré e Samya Rejane criar a campanha “De Camamu para o mundo”, a fim de conseguir patrocínios para custear a viagem, a inscrição e a estadia. Terceiro colocado na categoria juvenil e 9º na categoria geral do ranking baiano, o atleta de 16 anos ganhou o Mar Grande de Salvador em 2016 e recentemente venceu a 2ª etapa do Campeonato Baiano de Maratonas Aquáticas.

“Ele é filho de Camamu. Como precisamos de um patrocinador para arcar com a viagem, tive a ideia de jogar nas redes sociais e lancei a campanha ‘De Camamu para o mundo’ para cada um ajudar. Depois uma colega teve a ideia dos envelopes com o rosto dele e distribuímos nas ruas. As pessoas sempre reclamam: ‘É um custo alto, não tenho esse dinheiro’. Então, pelo envelope a pessoa não se identifica e pode colocar o valor que quiser sem a gente saber quem foi”, disse Samya Rejane, mãe de Gustavo.

Samya aproveita para contar como Gustavo se interessou pela natação. Inicialmente, o esporte aquático foi preterido pelo garoto, mas foi por insistência dela que a prática entrou na vida de seu filho.

“Na escola, ele tinha a opção de fazer três esportes, que era natação, futsal e vôlei. Ele sempre queria fazer todos, mas eu dizia que só tínhamos condições de pagar dois. Gustavo nunca escolhia a natação, e eu pedia muito para ele praticar o esporte porque era bonito. Acabou que fez os três. Os dois que ele queria e a natação por minha causa. Ele foi se empolgando com a natação e deixando os outros de lado”, relembrou.

Ela também fez questão de destacar a ajuda do professor de educação física do filho. O professor Ulisses foi o encarregado de treinar e tirar Gustavo das piscinas. “É uma descoberta de Ulisses, professor de educação física dele. Tudo foi ele que fez. Ulisses viu que ele tinha resistência, potencial para mar aberto e não piscina e testou ele no mar. Foi evoluindo e chegando onde está hoje. Ano passado ele foi embora, pois não tinha como treinar em Camamu. A própria federação chegou para a gente e disse: ‘Como ele continuará treinando numa piscina de nove metros? Não tem condições’. Abraçamos a causa e ele teve que ir embora”, salientou.

Como Samya destacou, Gustavo teve que deixar a casa para trás. O menino veio morar em Salvador com o pai, Thiago. Na capital baiana, ele treina na Associação Cultural e Esportiva Braskem (ACEB) com uma estrutura bem melhor do que encontrava em sua cidade.

Gustavo conquistou o título baiano na sua categoria

Thiago explicou que a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) preferiu arcar com os custos do Mundial, com isso, os competidores do Pan ficaram encarregados dos custos. “Ele foi participar da última etapa do brasileiro, tinha a etapa de 7,5 km e 5 km. Ele participou das duas provas, e na de 7,5 m conseguiu o índice para o Pan-Americano, só que na mesma prova tinha também para o Mundial. Então, a Federação só pôde arcar com os custos do Mundial e o do Pan ficou para o atleta. Os custos foram altos, não podíamos arcar, e com isso a mãe dele lançou uma campanha em Camamu, interior deles, para fazerem doações, divulgar e etc… A galera aceitou numa boa e está bem divulgado. É uma ajuda para bancar a viagem e as inscrições que são caras”, afirmou.

“O Pan é uma competição de seleções. El Salvador, Canadá, México, EUA e vai um selecionado do Brasil, pois a seleção brasileira vai estar no Mundial. As provas serão do dia 15 ao dia 18. Serão provas mistas de revezamento por categoria. Ele representa a categoria juvenil, que é de 14 a 17 anos, e quem fizer mais pontos ganha”, explicou o pai do garoto.

Para Thiago, o grande desafio é encontrar uma empresa para patrocinar o seu filho. Gustavo tem direito ao programa Faz Atleta, do governo da Bahia. No entanto, fica a cargo do nadador encontrar quem o patrocine. “Ele conseguiu o terceiro lugar na categoria dele no ano passado na maratona aquática, e isso lhe permite ter direito no Programa Faz Atleta. A empresa tem um desconto no ICMS. É de comum acordo, pois está investindo num patrocínio, terá sua marca estampada no atleta aonde ele for competir. O valor de Gustavo é pouco mais de R$ 6 mil o ano todo. Além do estado divulgando a marca em todas as provas. Então, o que está faltando é isso, arrumar uma empresa para nos patrocinar e entrar pelo programa”, explicou.

Entusiasta do filho, Thiago ressaltou que a estratégia da família foi dividir os custos. “Dividimos a alimentação, a inscrição, as passagens e a hospedagem para ver se cada empresa abraçava a ideia. Já encontramos uma para bancar a alimentação, então já tiramos mil reais. O mais caro são as passagens que custam R$ 10 mil, mas estamos correndo atrás”.

A inscrição para o torneio acontece até o dia 30 de maio. A família de Gustavo corre contra o tempo para poder arrecadar a quantia necessária.

Bahia Notícias

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