Maneiras de usar a tecnologia para ficar de olho nos políticos

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A democracia brasileira, com seus 33 anos, já teve grandes conquistas desde a seu restabelecimento em 1985, como o voto direto e processo eleitoral confiável.

Mais recentemente pode-se adicionar a esta lista de conquistas a aprovação da Lei de Acesso à Informação (LAI), que entrou em vigor em 2012 e veio para contribuir com a transparência dos poderes executivo, legislativo e judiciário, em todas as esferas de governo.

 Ainda que a passos lentos, essa abertura de dados públicos, somada à evolução de tecnologias, está possibilitando o surgimento de ferramentas de fiscalização e monitoramento das atividades dos nossos governantes – fáceis de usar e entender.

Elas contribuem para a transparência do poder público e estimulam a participação política, por isso, listamos aqui cinco projetos para que você possa acessar, aprender, participar e contribuir para a construção de uma democracia cada vez mais forte.

 

 

1. Operação Serenata de Amor 
A Rosie e o Jarbas são um grande exemplo de como a inteligência artificial contribui para o controle social e a fiscalização de gastos públicos. Criados pelo projeto  Operação Serenata de Amor,  o Jarbas é um site que reúne todos os gastos com verba indenizatória de todos os deputados federais.

A Rosie é uma robô que capta, analisa esses dados e identifica os gastos suspeitos.

 Essa dupla consegue apontar irregularidades que vão desde gastos em diferentes estados do Brasil em um período de tempo muito curto até quando a despesa com uma refeição está acima do que seria coerente para o estabelecimento em questão.

Juntos eles já encontraram 8.276 reembolsos suspeitos, dos quais 629 foram denunciados à Câmara de Deputados.

Estes gastos somaram mais de R$ 378 mil, segundo o site da Operação Serenata de Amor, que tem esse nome inspirado pelo caso Toblerone, no qual uma política na Suécia renunciou o seu cargo após ser flagrada com um simples Toblerone pago com dinheiro público.

Para acompanhar esse trabalho é só seguir a Rosie no Twitter (@RosieDaSerenata). Ela envia um tuíte com um alerta e pede sua ajuda para verificar se aquele gasto é realmente irregular.

Além disso, na semana passada, a Operação Serenata de Amor lançou uma nova ferramenta que auxiliará na fiscalização dos gastos públicos.

Utilizando inteligência artificial, o grupo vai analisar os diários oficiais dos municípios brasileiros para informar as compras que dispensam processo de concorrência por menor preço (menos de R$ 8 mil).

O projeto “Dispensas de Licitação” tem como meta analisar os diários oficiais dos 100 maiores municípios brasileiros. Por enquanto, dados de Porto Alegre estão sendo coletados (e disponíveis no site do projeto) e outros sete municípios estão em fase de finalização.

A Operação Serenata de Amor também está desenvolvendo um bot, assim como a Rosie, para divulgar essas informações.

 

 

2. Tramitabot 
O Tramitabot é um bot no Telegram que avisa sobre qualquer movimentação na tramitação de projetos de lei relacionados à internet e a tecnologias digitais.

Ele faz parte do projeto Radar Legislativo, uma plataforma de monitoramento destas propostas legislativas, criada pela Coding Rights – uma organização liderada por mulheres e que tem como objetivo promover a compreensão sobre o funcionamento de tecnologias digitais e expor as assimetrias de poder que podem ser ampliadas por seu uso.

Quem quiser receber as notificações sobre a tramitação dos projetos precisa ter instalado no celular o aplicativo de mensagens Telegram. Depois disso, basta procurar @TramitaBot na barra de busca e dar um “oi” para o robô.

A partir daí você escolhe se quer ser notificado sobre algum projeto em específico ou se só quer dar uma olhadinha nas últimas tramitações do dia.

 

 

3. Elas na Câmara 
O Elas na Câmara é um bot do Twitter, criado pela jornalista de dados Bárbara Libório, que informa aos seus seguidores diariamente as mudanças na tramitação de projetos de lei que tratam de temas relacionados a mulheres. “A ideia do robô é justamente monitorar de perto a ação legislativa num tema tão importante e tão atual — e num momento tão delicado do país”, escreveu a jornalista no blog do Elas na Câmara. Seguindo o @elasnacamara no Twitter você receberá as informações das proposições monitoradas do conforto de sua rede social. A bot também dá um link para que você possa conhecer o projeto de lei.

 

 

4. Projeto Plenário 
Também idealizado e criado por uma jornalista e programadora, a Gabriela Caeser, o Projeto Plenário é um site que apresenta de uma maneira de fácil compreensão e visualização os dados de votações no Senado.

Segundo Caeser, a ferramenta amplia o leque de mecanismos para fortalecer a participação social.

 O site permite fazer uma seleção por senador e ver como eles votaram nos assuntos mais polêmicos que tramitaram na Casa, como a Reforma Trabalhista e a PEC do Foro Privilegiado; ou por proposição, para saber os dados consolidados de uma votação (quem foi a favor, contra, não votou, se absteve ou estava ausente).

 

5. CTRL+X 
Com uma base de dados alimentada por monitoramento ativo dos sites do judiciário brasileiro, por jornalistas e por representantes de empresas intimadas, o Ctrl+x é um projeto experimental organizado pela Abraji que reúne as ações de políticos contra a divulgação de informações que estão tramitando na justiça.

O objetivo é mapear as tentativas de censura a veículos de mídia no Brasil. No portal Ctrl+x você pode filtrar os dados de várias maneiras: por estado, por partido, por cargo, por político, por alegação, por formato, por empresa ré e por data. Os dados que dão origem aos gráficos e rankings também podem ser baixados para análise.

No ano passado, o projeto foi finalista do maior prêmio mundial de Jornalismo de Dados, o Data Journalism Awards.

Gazeta do Povo

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