Com sequência no time titular, Ramires fala de homenagem ao pai, canta reggae e avalia fama repentina

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Em coletiva no Fazendão, Ramires enaltece o bom momento na carreira e agradece carinho dos torcedores nas ruas.

“Vamos amigo, lute! Senão a gente acaba perdendo o que já conquistou”. Foi inspirado no trecho da música Lute, do cantor Edson Gomes, que o garoto Ramires concedeu sua primeira coletiva na sala de imprensa do Fazendão. Versos que inspiraram a vida do jovem de 18 anos, morador do bairro Águas Claras, em Salvador.

Vida marcada por momentos complicados, como as negativas em peneiras de futebol, mas também por reviravoltas. Na última quinta-feira, na partida contra o Botafogo, pelas oitavas de final da Sul-Americana, o meia marcou o primeiro gol como profissional. A ideia de Ramires era utilizar o feito para homenagear o pai, que morreu há dois anos. Os planos, no entanto, não ocorreram como o esperado.

– Momento difícil. Perdi ele quando tinha 16 anos. Faz dois anos que perdi ele. Falei para mim mesmo que quando fizesse gol no profissional eu iria comemorar dançando reggae. Infelizmente na euforia não deu. Mas ele sabe que sempre estarei com ele no meu coração. Ele era fã de reggae. Sempre escutava reggae. De manhã cedo eu acordava com ele escutando Edson Gomes. Ele gostava de “Árvore”, tem uma que é assim: “Vamos amigo, lute! Vamos amigo, lute! Vamos amigo, lute! Uoou! Vamos amigo, ajude! Senão a gente acaba perdendo o que já conquistou…” – cantou o jogador tricolor.

Ramires é uma daquelas pessoas que cresceram com a consciência de como é difícil obter conquistas. Criado em um bairro pobre de Salvador, ele passa a maior parte da semana no Fazendão. Nos fins de semana, quando não está concentrado, visita a família. Tem em mente gravado como um mantra que é preciso manter a concentração no trabalho para ter sucesso.

– Estou tentando ficar o máximo possível aqui para descansar bastante. Para ajudar na adaptação. Os jogos são bastante diferentes do sub-23 e sub-20 – comentou.

– Sensação inexplicável. A Fonte Nova lotada, jogar no Esquadrão. É um sonho de criança, como já disse. O primeiro jogo contra o Sport estava muito nervoso, a galera aqui dentro me ajudou bastante. Hoje estou mais acostumado para ajudar a equipe tanto no setor ofensivo quanto o defensivo. Estou bem. É continuar trabalhando.

O meia de 18 anos balançou as redes contra o Botafogo, pela Sul-Americana — Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC BahiaO meia de 18 anos balançou as redes contra o Botafogo, pela Sul-Americana — Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

O meia de 18 anos balançou as redes contra o Botafogo, pela Sul-Americana — Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

O sucesso nos campos refletiu na vida pessoal de Ramires. Antes desconhecido, o jogador agora posa para fotos com torcedores nas ruas da capital baiana. O número de seguidores nas redes sociais também cresceu bastante. Em pouco mais de duas semanas, o número de seguidores nas redes sociais mais que quadruplicou.

– São vinte dias de muita felicidade na minha vida. Nunca pensei que seria assim o começo, a estreia. Em média acho que já ganhei uns 10 mil seguidores. Fui no shopping um dia desse e um cara me viu, me pediu para tirar foto. Muito bom, muito gratificante. (…) Muitas mensagens. Mas não posso me deslumbrar com isso. As mensagens dos familiares tento responder todos, as vezes não dá. Tento responder com mais carinho quem está mais próximo de mim. É não se deslumbrar e manter o foco.

Confira outras declarações de Ramires:

Repercussão com colegas da base

– Muitos chamam para tirar foto. Muitos estavam comigo no início, acreditaram em mim desde o início.

História

– Sou de Águas Claras [bairro de Salvador]. Morava no Uruguai, na Cidade Baixa. Com dois anos fui para São Paulo com meu pai e minha mãe. Ficamos nove anos lá. Voltei quando tinha 11 anos. Quando voltei, fiz testes aqui no Bahia e no rival, não passei. Em 2011 fiz o teste aqui e passei.

Gol e sucesso

– Acontecendo muito rápido. Graças a Deus pude fazer o gol ontem, ainda em uma competição internacional. O Bahia não tem esse título ainda. Agora é continuar trabalhando com foco nos treinamentos.

Cotidiano

– Moro aqui mesmo no Fazendão. Fim de semana vou visitar minha mãe.

Pessoas que ajudaram na carreira

– Tenho ele como um pai que me ajudou bastante, nome dele é Hilton, mora perto de minha casa. Quero cumprimentar ele. Me ajudou bastante quando perdi meu pai. Foi mais como um familiar mesmo. Me ajudou bastante, me deu bastante apoio. Ele e Jose, a esposa dele. ME ajudaram bastante.

Tapas na comemoração

– Isso sempre quando alguém sobe e faz o primeiro gol rola. Clayton fez e os caras não pegaram ele. Só rolou comigo (risos). Foi especial. O grupo me acolheu bastante.

Férias

– Vai ser o momento que vou tentar ficar com minha família o máximo possível. Sem me deslumbrar. Manter o foco e ficar com meus familiares.

– Joguei em Cajazeiras X, no Ypiranga na Vila Canária, joguei na Boca do Rio também bastante. Joguei em Simões Filho. Em muitos campos. Correio 24h

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