Câmara de Salvador: Ireuda Silva realiza audiência pública para denunciar racismo no esporte

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“Esta audiência pública tem como objetivo denunciar os casos de racismo no esporte e dar visibilidade à luta pela igualdade racial”. A afirmação foi feita pela vereadora Ireuda Silva (PRB), vice-presidente da Comissão de Reparação do Legislativo Municipal, ao abrir o debate na manhã desta quinta-feira (9), na Câmara de Salvador.

Segundo a vereadora, o esporte é uma atividade que une as pessoas, mas o racismo está presente na sociedade e também nas práticas esportivas. “Esse debate é para demonstrar que estamos atentos, vigiando os casos de racismo e que vamos sempre atuar no combate a isso”, garantiu.

Também presente ao evento, a secretária municipal de Reparação, Ivete Sacramento, informou que a Prefeitura de Salvador implantou o Observatório da Discriminação Racial. Profissionais monitoram casos de racismo, inclusive na internet, e orientam as vítimas a prestarem queixa nas delegacias de polícia.

De acordo com o artigo 5º da Constituição Federal, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. E o capítulo 1º, Inciso XLII, estabelece que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão”.

Apesar da lei federal, a secretária Ivete Sacramento argumenta que é necessária a edição de uma lei municipal que estabeleça penas para o racismo institucional no esporte. “Proponho à Comissão de Reparação a união de forças em prol de uma lei com penalidades para os clubes que permitam a prática de atitudes racistas”, pontuou.

Vítimas

A audiência também contou com a presença de vítimas de racismo nas redes sociais, como Edna Gama, diretora do Instituto Federal da Bahia (Ifba) de Santo Antônio de Jesus. Ela contou que, em 2015, foi com a filha assistir a um jogo do Esporte Clube Bahia na Fonte Nova. Edna foi surpreendida com uma montagem de uma foto dela com a filha e outra foto com cinco torcedoras loiras em um jogo do Grêmio. “A postagem tinha o texto: ‘Ainda tem gente que acha que time é tudo igual’”, relatou.

Assim como a postagem, a resposta de Edna Gama teve ampla repercussão nas redes sociais. Em um trecho, ela afirma que “realmente os times e suas torcidas não são iguais. Umas torcidas se notabilizam pelas frequentes atitudes racistas e violentas de alguns dos seus membros e outras se destacam pelo amor, pela paixão, pelo respeito que sentem por seus clubes e pelas pessoas”. O caso está sendo investigado pelo Ministério Público Estadual (MPE).

Representante da Ordem dos Advogados do Brasil Seção Bahia (OAB-BA), Juliana Calmon, afirmou que “todos devem abraçar a causa do combate ao racismo no esporte”. Ela informou que a OAB desenvolve uma série de ações neste sentido em parceria com a Federação Baiana de Futebol.

A mesa da audiência pública também contou com a presença de Paulo Meyra, diretor de Esportes da Secretaria Municipal de Trabalho, Esporte e Lazer, e Sílvio Mendes Júnior, representante da Federação Baiana de Futebol. Secom/Câmara/Salvador

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