Camaçari: reativação da guarda municipal e questões da família são discutidas em Audiência Pública

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O plenário da Câmara Municipal lotou na Audiência Pública para tratar sobre a segurança pública no município. O evento foi proposto pelo presidente da Casa Legislativa, vereador Oziel (PSDB), com o objetivo de discutir, com agentes de segurança, ações que possam diminuir a criminalidade em Camaçari.

 “O assunto é de extrema importância e interesse de toda comunidade. Nós vereadores percebemos que, durante as nossas visitas nos bairros, os moradores sempre apresentaram a necessidade de uma ronda policial na localidade”, comentou o vereador Oziel. O parlamentar também fez um levantamento de dados estatísticos de homicídios registrados nos cinco primeiros meses do ano. Segundo os números, o município registrou uma média de 23 casos mensais.

Foto: Henkis Trabuco. Câmara de Vereadores
Foto: Henkis Trabuco. Câmara de Vereadores

 No andamento da audiência, os palestrantes também apresentaram dados estatísticos registrados por cada instituição policial, nos primeiros meses do ano. Na oportunidade, eles ainda explicaram o trabalho que tem sido realizado no combate à criminalidade. A delegada Thaís Siqueira, titular da 18ª DT, informou que a unidade policial tem 6.600 ocorrências, e apenas quatro delegados e 26 investigadores para gerir esse número. “Apesar da alta demanda, precisamos mostrar trabalho e dedicação. A integração da polícia civil com a militar, CIPE Polo e Rondesp RMS tem feito toda a diferença no combate ao crime no município”, disse.

 Ao debater sobre a redução da criminalidade, os palestrantes foram unânimes. Para eles, é preciso ter uma base familiar fortificada, sem esquecer de investir na educação, cultura e no lazer dos jovens. Para Maria Tereza, delegada da 4ª Delegacia de Homicídios, sediada em Camaçari, “a família é o local onde formamos o nosso caráter. Temos a obrigação de educar os nossos filhos. Não é somente responsabilidade da escola, nem tão pouco da polícia. A violência, se não combatida no seu seio, infelizmente, terminará em um homicídio”, comentou. “Se os pais não têm o controle dos seus filhos, não será a polícia que terá”, frisou.

O deputado estadual, Sargento Isidoro argumentou que a violência vem da desconstrução da família. Foto Ascom Câmara
O deputado estadual, Sargento Isidoro argumentou que a violência vem da desconstrução da família. Foto Ascom Câmara

 O deputado estadual, Sargento Isidório (PDT), argumentou que a violência vem da desconstrução geral da família. “Aquele que honra os pais tem longevidade de dias e jamais se voltará para o mundo do crime quando sua base familiar está bem formada”, comentou. Na ocasião, o deputado ainda esclareceu sobre o trabalho realizado pela Fundação Dr. Jesus, que abriga pessoas usuárias de substâncias psicoativas, no município de Candeias, e defendeu a criação do Ministério de Segurança Pública, o que disponibilizaria um investimento maior para os estados trabalharem no combate ao crime.

 O Tenente Coronel Henrique Melo, comandante do 12° Batalhão da Polícia Militar, informou que este ano houve um aumento de casos de violência no município. Porém, em maio, ocorreu uma redução de 52%, segundo ele, um sinal positivo da realização de operações, reuniões e ações integradas entre as polícias.

Promotor de Justiça, Adalto Adauto Araújo Júnior. Foto: Ascom Câmara
Promotor de Justiça, Adalto Adauto Araújo Júnior. Foto: Ascom Câmara

O promotor de Justiça da área criminal, Adalto Araújo Júnior, citou ferramentas que poderiam dificultar a ação dos criminosos, como uma boa iluminação pública e ampliação do videomonitoramento. A volta da guarda municipal para atuar nas ruas de Camaçari também foi citada pelo promotor. “Todas essas ações podem gerar um reflexo direto no combate à violência”, comentou. Ele completou que é preciso uma prevenção social, proporcionando aos jovens acesso à cultura e a uma educação de qualidade.

A audiência foi aberta para que o público fizesse perguntas aos palestrantes. A guarda municipal, Rosilda Carrilho, cobrou a volta dos agentes para atuar nas ruas de Camaçari. A instituição foi extinta em 1997 e, desde então, 140 servidores têm atuado em outras funções do setor público. “Queremos voltar a atuar na função pela qual realizamos o concurso público em 1995. A Guarda Municipal tem a função de atuar na defesa social do indivíduo”, completou.

O vereador Júnior Borges (DEM) já solicitou, por algumas vezes, a reativação da guarda municipal. “É preciso que o Executivo encaminhe um projeto de Lei que crie e reative a atividade, com uma nova adequação. Esta Casa nunca fugiu de defender a volta da guarda municipal”, explicou o parlamentar.

 Para o vereador Marcelino (PT), “a segurança pública é um tema muito complexo, por isso, a discussão entre o poder público e toda a comunidade necessita ser aprofundada”, disse. “Cabe às instituições, levar educação, lazer e cultura ao cidadão. A igreja também tem seu papel fundamental”, completou.

 Ao final do evento, o vereador Oziel informou que todas as questões que foram discutidas em audiência serão encaminhadas para o Governo do Estado. As demandas de responsabilidade do município serão encaminhadas para o Executivo”, finalizou.  Ascom Câmara

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