Assembleia concede Comenda 2 de Julho a César Romero

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Aos 50 anos de carreira, o artista plástico César Romero foi agraciado em sessão especial realizada ontem com a Comenda 2 de Julho, a mais alta honraria concedida pela Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). Proposta pelo deputado Angelo Almeida (PSB), a homenagem foi prestigiada pelo presidente da Casa, Angelo Coronel (PSD), pelo líder da bancada governista, Zé Neto (PT), além de artistas  baianos consagrados como Juarez Paraíso, amigos e familiares.
Ao abrir a sessão especial, Angelo Almeida contou que César Romero iniciou a carreira de pintor em 1968 e é considerado pela crítica como um artista que revolucionou a arte contemporânea pela capacidade de incorporar em suas pinturas traços e símbolos da cultura baiana. “Pintou os casarios da Velha Salvador, os santos de devoção, os tamboretes de festas de largo, as arraias e faixas emblemáticas”, observou Almeida, em seu discurso.
Natural de Feira de Santana, César Romero, além de artista plástico, é médico psiquiatra, empresário e colunista de jornal. “Neste meio século, César mostrou sua brasilidade, tendo a Bahia como ponto de energia”, continuou Angelo Almeida, na sessão. “Investigou fontes matrizes da cultura popular, estabelecendo um acúmulo de grande importância na visualidade brasileira. Deu ao Brasil uma estampa única as  ‘faixas emblemáticas’. Ele precisamente se autodefine como baiano, nordestino, brasileiro e universal. Acho uma definição fantástica, precisa, posto que ele realmente assim o é”, acrescentou o parlamentar.
CONTEMPORÂNEO
O médico oncologista e artista visual José Henrique Barreto foi outro a falar na sessão especial. “Extremamente inquieto e sempre atento aos movimentos do mundo, César é um artista atemporal”, afirmou o médico. “Pesquisa sobre cultura popular traduzindo em arte diversas manifestações presentes no cotidiano do povo brasileiro, particurlamente o povo nordestino”.
Ao agradecer a homenagem, o artista plástico lembrou de sua infância em Feira de Santana. Contou que, quando era menino, seu pai costumava levá-lo para feira livre para aprender a fazer compras. “Mas meu olhar era outro. O que eu via eram as cerâmicas, os carrinhos, os piões com seus cordéis enrolados, as arraias, as gaiolas tão bem trabalhadas, os estilingues, os repentistas. Tudo aquilo era extraordinário e provocava em mim um encantamento muito grande”, contou César Romero, acrescentando que essas cenas ficaram vivas em sua memória.
Ao chegar em Salvador, aos 16 anos, começou a estudar nos Maristas e a ter contato com as artes plásticas. Iniciou sua carreia ao ter o primeiro quadro premiado em um evento. “Durante toda minha carreira como artista plástico trabalhei com temas visceralmente ligados à Bahia. Os casarios brancos, as imagens dos santos de devoção, paisagens com faixas emblemáticas, tamboretes de festas de largo da Bahia”, observou o artista homenageado.
Para ele, ser artista não é simplesmente uma escolha. “É uma  determinação que a natureza impõe ao indivíduo. Um destino a cumprir”. E, na opinião de César Romero, é também extramente difícil porque envolve “consciência, senso de observação, treinamento, percepção”. Para completar o quadro, lembrou que hoje está cada vez mais difícil de viver da própria arte no Brasil. Romero finalizou seu discurso mandando um recado para os deputados presentes na sessão: “Os políticos precisam se aproximar mais dos artistas. Todos terão muito a ganhar com essa convivência”, afirmou. Agência Alba
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